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Raios em ato político: Nikolas vira alvo de investigação na PGR


O Partido dos Trabalhadores acionou a Procuradoria-Geral da República contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) após o ato político realizado em Brasília no último domingo (25), que terminou com cerca de 80 pessoas feridas por descargas elétricas durante uma forte tempestade.

A representação foi apresentada nesta terça-feira (27) pelo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), e pelo deputado Rogério Correia (PT-MG). Os parlamentares pedem que a PGR investigue Nikolas por exposição da vida a perigo direto e iminente, lesão corporal dolosa e omissão penalmente relevante.
Segundo o documento, havia alerta meteorológico oficial de nível laranja emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), prevendo chuvas intensas, ventos fortes e alto risco de descargas elétricas. Mesmo assim, os organizadores do evento teriam mantido a concentração de pessoas em área aberta.
Os deputados afirmam que, além de não dispersar o público, a organização permitiu a permanência de uma estrutura metálica improvisada, que acabou funcionando como um verdadeiro para-raios durante a tempestade.
“Mesmo diante desse quadro, os organizadores não promoveram a dispersão da mobilização, mantiveram grande número de pessoas reunidas em área aberta e autorizaram a permanência de estrutura metálica improvisada”, diz o texto enviado à PGR.
Outro ponto destacado na representação é a conduta de Nikolas após o ocorrido. Segundo os petistas, apesar de exercer papel central no evento e liderança política sobre os participantes, o deputado não teria adotado medidas de orientação, alerta ou apoio às vítimas.
De acordo com o documento, Nikolas teria se limitado a discursos políticos e ataques a instituições, sem qualquer manifestação de solidariedade ou ação prática diante do risco enfrentado pelos manifestantes.
Os parlamentares sustentam ainda que houve dolo eventual. Na avaliação deles, o deputado assumiu conscientemente o risco de produzir o resultado lesivo ao deixar de agir, mesmo tendo o dever jurídico de fazê-lo como organizador e líder da mobilização.
A manifestação em Brasília marcou o encerramento de uma caminhada iniciada por Nikolas Ferreira em Minas Gerais no dia 19 de janeiro. O deputado percorreu cerca de 240 quilômetros até o Distrito Federal em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e três meses no inquérito que apura a tentativa de golpe.
Procurada após a divulgação da representação, a assessoria de imprensa de Nikolas Ferreira não respondeu até o fechamento desta reportagem.

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