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A poucos meses da eleição, Motta faz gesto inesperado e pauta bandeira histórica da esquerda


A poucos meses das eleições, uma decisão tomada no comando da Câmara dos Deputados chamou atenção em Brasília e fora dela. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou o encaminhamento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da PEC que trata da redução da jornada de trabalho no regime 6×1, proposta originalmente pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), além do apensamento de um texto semelhante do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
O movimento, embora justificado oficialmente como um avanço necessário diante das transformações tecnológicas e do debate mundial sobre relações de trabalho, foi lido nos bastidores como um claro aceno político ao Palácio do Planalto. Em ano eleitoral, a pauta trabalhista volta ao centro do debate nacional e se transforma em um ativo estratégico para o governo Lula, que busca recuperar protagonismo junto à classe trabalhadora.
Ao anunciar a criação de uma Comissão Especial após a análise da CCJ, Motta afirmou que o debate será “amplo, equilibrado e responsável”, com escuta de todos os setores. Na prática, porém, o simples gesto de destravar a PEC já tem peso simbólico. A proposta estava represada e enfrentava resistência de setores empresariais e de parte do centrão, que veem riscos econômicos e impactos diretos sobre produtividade e custos.
A leitura política é inevitável. O fim da jornada 6×1 dialoga diretamente com o discurso social do governo federal e com bandeiras históricas da esquerda. Ao permitir que a PEC avance, Hugo Motta sinaliza disposição para pautar temas sensíveis ao eleitorado popular, ao mesmo tempo em que se coloca como articulador de consensos em um Congresso fragmentado.
Nos bastidores, parlamentares avaliam que a decisão fortalece o governo Lula no debate público, mesmo sem garantir a aprovação final da proposta. A simples tramitação já permite ao Planalto ocupar espaço na agenda, pressionar a oposição e expor divergências entre empresários, trabalhadores e partidos de centro-direita.
Críticos apontam que a iniciativa ocorre sem estudos consolidados sobre impactos econômicos e geração de empregos, o que reforça a percepção de que o timing é mais político do que técnico. Defensores, por outro lado, argumentam que o Brasil não pode ignorar mudanças globais nas relações de trabalho e que o debate é inevitável.
O fato é que, ao acelerar a PEC do 6×1, Hugo Motta recoloca a Câmara no centro do jogo eleitoral e envia um recado claro: pautas sociais voltarão a ser usadas como instrumento de disputa política em 2026. Se a proposta vai virar lei ou não, ainda é incerto. Mas o gesto já cumpriu seu papel político.

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