O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, confirmou nesta quinta-feira (5) a chapa do PL ao Senado em 2026 no estado e deixou claro que não pretende ceder a pressões de Brasília. Os nomes escolhidos são Carlos Bolsonaro e Caroline De Toni. A decisão foi acompanhada de um recado direto aos articuladores nacionais: “aqui quem manda é Santa Catarina”.
A definição ocorre em meio a um embate político intenso com a cúpula nacional do Progressistas. O Progressistas tentou até o último momento emplacar o nome do senador Esperidião Amin como prioridade ao Senado, condicionando o apoio à reeleição de Jorginho à retirada de Caroline de Toni da disputa. O governador, no entanto, rejeitou o arranjo e manteve a chapa alinhada à base bolsonarista do estado.
Nos bastidores, aliados relatam que Jorginho avaliou a pressão como uma tentativa de impor acordos nacionais desconectados da realidade eleitoral catarinense. A escolha de Carlos Bolsonaro reforça a estratégia do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro de ampliar presença no Senado, considerado estratégico para o próximo ciclo político. Já Caroline de Toni aparece como um dos principais nomes da direita no estado, com atuação destacada no Congresso e forte respaldo entre eleitores conservadores.
Santa Catarina é vista como um dos redutos mais fiéis do bolsonarismo desde 2018, e a decisão do governador busca preservar essa identidade. A dobradinha Carlos–Caroline é tratada por apoiadores como uma aposta em fidelidade ideológica e mobilização de base, em contraste com composições consideradas mais moderadas.
A confirmação da chapa também expõe um racha silencioso entre lideranças regionais e direções nacionais de partidos. Enquanto Brasília tenta costurar alianças amplas, Jorginho optou por priorizar o capital político local e a leitura de que o eleitor catarinense rejeita imposições externas.
Com a decisão, o governador assume o ônus e o bônus do confronto. De um lado, consolida o apoio da ala bolsonarista raiz no estado. De outro, amplia o desgaste com setores do centrão e com dirigentes partidários nacionais. O movimento sinaliza que a disputa pelo Senado em Santa Catarina será uma das mais polarizadas de 2026 e que Jorginho Mello está disposto a bancar o embate até o fim.

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