As empresas estatais federais e estaduais começaram 2026 com forte deterioração fiscal, registrando em janeiro um déficit de R$ 4,9 bilhões, o pior resultado da série histórica para o mês em termos nominais. Os dados foram divulgados pelo Banco Central e acenderam alerta no mercado sobre a trajetória das contas públicas e o impacto sobre a confiança de investidores.
O rombo de apenas um mês praticamente iguala todo o déficit acumulado ao longo de 2025, que somou R$ 5,1 bilhões. Em relação a janeiro do ano passado, o salto chega a 560%, evidenciando uma deterioração significativa nas finanças das estatais logo no início do ano. As empresas estaduais também contribuíram para o quadro negativo, com déficit de R$ 1,56 bilhão, alta de 386,2% na comparação anual.
O levantamento integra o relatório de Estatísticas Fiscais do Banco Central e utiliza o conceito de necessidade de financiamento, indicador que mede se as estatais ajudam a reduzir o déficit público ou se passam a exigir mais recursos do Tesouro Nacional. Embora o BC não detalhe quais empresas registraram prejuízo, a expectativa do mercado é de que os Correios estejam entre os principais responsáveis pelo resultado negativo, após sucessivos prejuízos recentes.
Apesar do desempenho preocupante das estatais, o setor público consolidado apresentou superávit primário de R$ 103,7 bilhões em janeiro. O resultado positivo foi impulsionado por saldo de R$ 87,3 bilhões do governo federal e de R$ 21,3 bilhões de estados e municípios. Ainda assim, houve leve piora em relação ao mesmo mês de 2025, quando o superávit foi de R$ 104,1 bilhões.
Quando considerados os juros da dívida pública, no chamado resultado nominal, o setor público registrou superávit de R$ 40,1 bilhões no mês. No acumulado de 12 meses, porém, o país mantém déficit nominal de R$ 1,09 trilhão, equivalente a 8,5% do PIB, o que mantém o Brasil sob monitoramento constante de agências de classificação de risco e investidores internacionais.
O peso dos juros segue sendo um dos principais fatores de pressão fiscal. Em 12 meses, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,03 trilhão, cerca de 8,1% do PIB, refletindo o atual patamar da taxa básica de juros. O Banco Central mantém a Selic em 15% ao ano, nível elevado adotado para conter a inflação, mas que amplia o custo de carregamento da dívida pública.
Mesmo com o superávit expressivo no início do ano, a dívida bruta do setor público permaneceu estável em 78,7% do PIB, equivalente a R$ 10,1 trilhões. O indicador é considerado o principal parâmetro internacional para avaliar a sustentabilidade fiscal de um país e influencia diretamente a percepção de risco e o custo de financiamento do governo.
O resultado das estatais reforça um dilema fiscal relevante para 2026: enquanto o setor público consegue gerar superávits pontuais, a deterioração das empresas públicas pode exigir maior suporte do Tesouro e comprometer a trajetória de ajuste das contas. Para o mercado, a evolução desses números será determinante para avaliar a credibilidade da política fiscal brasileira ao longo do ano.

0 Comentários
Obrigado pela sugestão.