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“Não é submissão”: Tarcísio rebate crítica e defende relação com Bolsonaro

 
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reagiu às declarações do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que falou em “submissão” na relação do governador com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para Tarcísio, a leitura é equivocada. Ele afirma que o vínculo entre ambos se baseia em amizade e lealdade, não em hierarquia ou dependência política.
“Não tem absolutamente nada a ver com submissão”, disse o governador. Segundo ele, a política costuma valorizar alianças em momentos de força, mas raramente reconhece quem permanece ao lado quando o cenário é adverso. “É fácil estar junto quando a pessoa está bem. O difícil é estender a mão quando perde o poder, quando precisa de ajuda, quando está privada da sua liberdade”, afirmou.
A fala ocorreu durante um evento de inauguração da restauração da Estação Júlio Prestes, no centro da capital paulista, um dia depois de Kassab ter levantado o tema em entrevista ao UOL News. Na ocasião, o dirigente do PSD defendeu que Tarcísio deveria preservar a própria identidade política. “Uma coisa é gratidão e lealdade; outra é submissão”, disse Kassab.
O episódio ganhou mais peso por ter acontecido logo após a visita de Tarcísio a Bolsonaro, na Papudinha, em Brasília. Questionado sobre o impacto da declaração, o governador minimizou o ruído e afirmou não ter se incomodado. Kassab, que também é secretário de Governo e Relações Institucionais do estado, depois disse à CNN Brasil que sua fala foi interpretada fora de contexto e reforçou elogios ao governador, destacando caráter, reconhecimento e coerência.
Ao comentar a relação com Bolsonaro e sua família, Tarcísio foi categórico ao afirmar que “nunca houve desarmonia”. Admitiu que existiram ruídos de interpretação, comuns na política, mas disse que o momento agora é de realinhamento. Para ele, há convergência em torno de um projeto nacional que passa por mudanças profundas no país e por um reposicionamento político claro.
Nos bastidores, o debate se conecta ao xadrez de 2026. Após Kassab anunciar a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD com foco no Planalto, o partido passou a concentrar três nomes no campo presidencial: Caiado, Ratinho Jr. e Eduardo Leite. Ao mesmo tempo, o PL intensificou a pressão por protagonismo em alianças, inclusive reivindicando espaço de vice em uma eventual chapa de reeleição de Tarcísio em São Paulo.
A troca de declarações expõe mais do que um desentendimento pontual. Ela revela o esforço de Tarcísio para manter pontes com Bolsonaro sem abrir mão de uma identidade própria, em um cenário em que alianças, lealdades e projetos nacionais começam a ser disputados com antecedência.

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