Após se recusar a entregar a senha do seu iPhone, a Polícia Federal acessou o aparelho de Vorcaro durante uma investigação criminal, em uma operação que reacendeu o debate sobre limites legais, privacidade e poderes de investigação no Brasil.
Segundo a apuração, o aparelho, um iPhone de última geração, contava com camadas avançadas de proteção. Para acessar o conteúdo, a PF utilizou softwares forenses capazes de romper criptografias complexas e recuperar inclusive dados apagados. O material extraído está em fase de compilação e deverá ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral da República.
A apreensão do celular ocorreu no contexto da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. O inquérito também apura se Vorcaro teria atuado para pressionar autoridades com o objetivo de evitar a liquidação da instituição.
O banqueiro prestou depoimento à PF e à PGR em 30 de dezembro, nas dependências do STF, por determinação do ministro Dias Toffoli, relator do caso. Na ocasião, a delegada responsável solicitou acesso ao conteúdo do celular, mas o pedido foi negado por Vorcaro e por sua defesa, sob o argumento de preservação de informações pessoais.
Com a quebra da criptografia, a expectativa é de que os dados obtidos ampliem o alcance da investigação. Toffoli deve autorizar o compartilhamento das informações com a CPMI do INSS, onde Daniel Vorcaro deverá depor no próximo dia 19, após o feriado de Carnaval.
Em declarações anteriores, o banqueiro negou qualquer fraude nas operações do Banco Master e afirmou ser vítima de uma narrativa construída para justificar a liquidação da instituição. A Polícia Federal, no entanto, considera o conteúdo do celular peça-chave para esclarecer os fatos e eventuais responsabilidades.

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