O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a provocar repercussão nesta sexta-feira (6) ao fazer declarações inusitadas durante um evento do governo federal em Salvador, na Bahia. Ao discursar na cerimônia de entrega de equipamentos do Sistema Único de Saúde (SUS), dentro do programa Novo PAC Saúde, Lula afirmou que não deseja “ir para o céu” neste momento e que prefere continuar vivendo no que chamou de “inferno na Terra”.
Segundo o presidente, sua meta pessoal é viver até os 120 anos. Em tom informal, Lula disse estar tentando fazer um “acordo com Deus” para permanecer vivo por mais tempo, pedindo que outras pessoas sejam levadas em seu lugar.
“Eu me determinei viver até 120 anos de idade. E se eu quero viver, tô tentando fazer um acordo com Deus. Tô dizendo: ‘Eu não quero. Vai levando outro, deixa eu aqui. Deixa eu aqui nesse martírio, nesse inferno da terra. Eu gosto tanto dele que eu não quero ir pro céu. Eu quero ficar aqui’”, declarou.
A fala chamou atenção especialmente pelo conteúdo religioso e pela forma como o presidente se referiu à própria permanência na vida e no cargo. Em outro momento do discurso, Lula pediu ajuda ao deputado federal e pastor Sargento Isidório, que estava presente no palco com outras autoridades.
“Pastor, me ajuda a ficar aqui, cara. Faça suas preces, faça para mim ficar aqui”, disse o presidente, arrancando risos e reações da plateia.
Na sequência, Lula justificou o desejo de continuar vivo e à frente do governo afirmando que ainda tem compromissos com a população mais pobre do país. Segundo ele, sua missão não estaria concluída.
“Eu falo para Deus: leve quem você quiser, meu Deus. Mas me deixa aqui porque eu ainda tenho muito compromisso com o povo pobre desse país e eu quero ajudar a resolver esse problema”, afirmou.
O evento em Salvador marcou a entrega de ambulâncias do Samu, equipamentos para unidades de saúde e o anúncio de novos investimentos na área da saúde, que somam R$ 345 milhões no estado da Bahia. A cerimônia contou com a presença de ministros do governo federal, entre eles Rui Costa, Alexandre Padilha e Esther Dweck, além do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e dos senadores Jaques Wagner e Otto Alencar.
As declarações do presidente rapidamente repercutiram nas redes sociais e nos meios políticos. Aliados trataram o discurso como uma fala espontânea, marcada por humor e metáforas. Já críticos apontaram exagero retórico e consideraram inadequado o uso de referências religiosas e expressões como “inferno na Terra” em um evento institucional.
O episódio se soma a outras declarações controversas de Lula ao longo do mandato e reforça o estilo informal e provocador do presidente, que frequentemente gera debates para além da agenda administrativa do governo.

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