A corrida presidencial de 2026 começa a ganhar contornos mais claros dentro do próprio campo governista. Em avaliação que chamou atenção nos bastidores políticos, o ex-presidente da Câmara e conselheiro de Lula, João Paulo Cunha, afirmou que o senador Flávio Bolsonaro representa hoje um adversário mais difícil do que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
A análise contraria parte da leitura inicial de setores do PT, que chegaram a considerar a entrada de Flávio na disputa como um cenário mais favorável ao presidente. Para Cunha, essa percepção foi equivocada. Segundo ele, a rejeição ao sobrenome Bolsonaro já está consolidada e “precificada” no eleitorado, o que reduziria o impacto de novos ataques durante a campanha.
Na prática, isso significa que Flávio entraria na disputa já com um teto de rejeição conhecido, sem grandes surpresas negativas ao longo do processo eleitoral. Em um ambiente altamente polarizado, essa previsibilidade pode ser uma vantagem estratégica.
Já Tarcísio de Freitas, na visão do petista, ainda teria espaço para sofrer desgaste nacional. Por ser mais associado à gestão paulista e menos conhecido em todo o país, sua imagem poderia ser desconstruída com maior intensidade durante a campanha. Cunha relembrou que governadores de São Paulo historicamente enfrentaram dificuldades em eleições presidenciais, citando nomes como José Serra e Geraldo Alckmin.
O diagnóstico interno revela preocupação real com a competitividade do campo conservador. Cunha prevê uma eleição “acirrada” e praticamente “pau a pau”, com pouca margem para erros de ambos os lados. Ele também demonstrou ceticismo sobre o surgimento de uma terceira via forte, avaliando que candidatos como Romeu Zema, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado ou Eduardo Leite tendem a orbitar o mesmo campo político e dificilmente romperiam com o bolsonarismo em um eventual segundo turno.
Outro ponto sensível reconhecido pelo conselheiro foi a demora do governo em buscar alianças mais amplas ao centro político. Para ele, o Planalto perdeu tempo na articulação e precisa agora acelerar a construção de pontes sem abandonar a identidade ideológica do PT.
Mesmo com indicadores econômicos considerados positivos pelo governo, Cunha avalia que a economia não será o principal eixo da disputa. O cenário tende a ser dominado por narrativas políticas, confrontos diretos e um ambiente de alta tensão eleitoral, marcado por ataques e campanhas negativas.
A fala do conselheiro expõe uma leitura estratégica importante: a eleição de 2026 não será decidida apenas por números econômicos ou programas de governo, mas pela capacidade de cada lado administrar rejeições já consolidadas e evitar erros graves em uma disputa que promete ser uma das mais polarizadas da história recente do país.

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