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Valdemar Costa Neto: Moraes só tira Bolsonaro da prisão depois da eleição

 
A declaração do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de que Alexandre de Moraes só libertaria Jair Bolsonaro após as eleições, não foi apenas mais uma fala de bastidor. Ela escancarou o nível de tensão política e jurídica que domina Brasília e reforçou a percepção, cada vez mais presente entre aliados do ex-presidente, de que o calendário eleitoral e o destino judicial de Bolsonaro estariam diretamente conectados.
A afirmação foi feita em um jantar com empresários e lideranças políticas em São Paulo, ambiente onde normalmente se medem palavras. Ao optar por um discurso direto, Valdemar não apenas expressou opinião pessoal, mas sinalizou a leitura estratégica do núcleo político bolsonarista: a disputa de 2026 não será apenas eleitoral, mas também institucional.
Desde que Bolsonaro passou a cumprir pena em regime fechado, no DF, o debate sobre a proporcionalidade da condenação e o ritmo das decisões judiciais ganhou força entre apoiadores. Para esse grupo, há uma sensação clara de que o processo jurídico se entrelaça com o cenário político, criando um ambiente de incerteza que impacta diretamente o tabuleiro eleitoral.
A fala de Valdemar também revela outra preocupação central: a necessidade de manter a base mobilizada. Ao mencionar que Flávio Bolsonaro só terá êxito na disputa presidencial se contar com o engajamento de nomes como Tarcísio de Freitas, Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira, o dirigente do PL reconhece que a eleição será dura e exigirá uma coalizão conservadora sólida e articulada.
Nos bastidores, a avaliação é que a prisão de Bolsonaro transformou o ex-presidente em um ativo político ainda mais relevante para sua base. A eventual permanência dele preso até o período eleitoral poderia, paradoxalmente, fortalecer a narrativa de perseguição política e impulsionar a mobilização de eleitores mais engajados.
Por outro lado, críticos do bolsonarismo veem na declaração de Valdemar uma tentativa de pressionar o Judiciário e antecipar uma narrativa de vitimização caso decisões desfavoráveis se mantenham. Esse embate entre versões opostas evidencia o grau de polarização que ainda domina o país.
O fato é que, goste-se ou não, o destino jurídico de Bolsonaro passou a ser um dos elementos centrais da disputa política nacional. A frase de Valdemar apenas colocou em palavras o que muitos já comentavam nos corredores do poder: a eleição de 2026 pode definir não só o rumo do país, mas também o futuro político e judicial do principal líder da direita brasileira.

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