O malabarismo da Folha começou... Eis o mais novo artigo divulgado pelo jornal:
Leia o artigo na integra:
"Na última coluna, defendi preços maiores para os combustíveis. O assunto voltou à tona por causa da Guerra no Irã, mas o ponto é mais geral.
Queremos um mundo mais limpo e menos quente, com menos emissões de CO2. Para isso temos que mexer no bolso das pessoas, para elas comprarem menos gasolina e diesel.
Sempre que uso esse argumento, recebo muitas críticas. Uma que parece fazer sentido é que o consumo de combustíveis reage muito pouco aos preços. Afinal, muito pouca gente vai conseguir reduzir o consumo de gasolina quando o preço sobe. Assim, aumentos no preço não afetariam significativamente o consumo e as emissões de CO2.
O argumento parece correto. Os dados mostram que, no curto prazo, aumentos no preço de gasolina e diesel têm muito pouco efeito no consumo de combustíveis.
Porém, trabalhos empíricos muito bem executados também mostram que no longo prazo o efeito é grande. Vou citar alguns.
Usando dados da Califórnia, Bushnell, Muehlegger e Rapson mostram que aumentos no preço da gasolina causam um aumento da demanda por carros elétricos. O efeito é maior que o causado por uma redução no preço da eletricidade.
Porém, trabalhos empíricos muito bem executados também mostram que no longo prazo o efeito é grande. Vou citar alguns. Usando dados da Califórnia, Bushnell, Muehlegger e Rapson mostram que aumentos no preço da gasolina causam um aumento da demanda por carros elétricos. O efeito é maior que o causado por uma redução no preço da eletricidade.
É difícil encontrar meios de transporte alternativos, mas é fácil enontrar carros que poluem menos. Trocar um carro movido a gasolina por outro elétrico ou híbrido tem um efeito desprezível no curto prazo, mas grande no longo prazo.
Não são só consumidores que reagem a maiores preços de combustíveis. Num trabalho clássico publicado em 2002, David Popp utiliza dados de patentes para mostrar que preços de petróleo maiores estimulam o desenvolvimento de tecnologias limpas. Trabalho mais recente de Aghion, Dechezlepretre, Hemous, Martin e Van Reenen, utilizando uma metodologia mais sofisticada, encontra efeitos parecidos de preços de combustíveis em patentes.
É difícil encontrar meios de transporte alternativos, mas é fácil encontrar carros que poluem menos. Trocar um carro movido a gasolina por outro elétrico ou híbrido tem um efeito desprezível no curto prazo, mas grande no longo prazo.
Não são só consumidores que reagem a maiores preços de combustíveis. Num trabalho clássico publicado em 2002, David Popp utiliza dados de patentes para mostrar que preços de petróleo maiores estimulam o desenvolvimento de tecnologias limpas. Trabalho mais recente de Aghion, Dechezlepretre, Hemous, Martin e Van Reenen, utilizando uma metodologia mais sofisticada, encontra efeitos parecidos de preços de combustíveis em patentes.
Esses trabalhos também mostram que empresas tendem a inovar nas tecnologias a que já estão acostumadas: firmas voltadas à tecnologia limpa geram mais patentes limpas, enquanto aquelas focadas em tecnologia suja produzem mais patentes sujas.
Então, preços maiores de combustíveis afetam o foco do esforço de inovação das empresas, gerando mais inovações voltadas à tecnologia limpa no curto e no longo prazo.
O efeito dessas inovações tecnológicas no consumo de combustíveis no curto prazo é nulo. Ninguém vai comprar menos gasolina hoje porque uma empresa vai começar a produzir carros que poluem menos a um custo menor. No longo prazo, porém, essas inovações tecnológicas reduzem substancialmente a demanda por combustíveis fósseis.
Há, portanto, um caminho para resolver o problema da poluição e do aquecimento global: precisamos encarecer os combustíveis –e o que mais gerar emissões de poluentes.''
A alternativa é continuar repetindo que é importante preservar o meio ambiente, brincando de plantar uma muda de árvore aqui ou ali, queimando gasolina para passar o fim de semana no sítio e respirar um ar mais puro, sem tomar qualquer atitude que nos leve a mudar nossas decisões de consumo. Não tem funcionado.
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