Após mais de uma década sem reajuste, os servidores do Departamento de Trânsito do Distrito Federal conquistaram a reestruturação salarial. O projeto foi aprovado na madrugada desta terça-feira (31) pela Câmara Legislativa do DF, com 17 votos favoráveis, em dois turnos e redação final.
A proposta é resultado de meses de articulação conduzida pelo deputado distrital Eduardo Pedrosa, que atuou como principal interlocutor entre a categoria e o Governo do Distrito Federal.
Agora, o texto segue para sanção da governadora Celina Leão.
Votação sob tensão
A sessão que aprovou o projeto foi marcada por clima de expectativa e pressão. Os trabalhos chegaram a ser suspensos por quase cinco horas enquanto parlamentares aguardavam o envio formal da proposta pelo Executivo.
Nas galerias, servidores acompanharam cada momento. A votação só foi retomada pouco antes das 23h, já com o plenário cheio e quórum garantido.
Defasagem de mais de 10 anos
Um dos principais argumentos defendidos durante as negociações foi a desigualdade salarial em relação a outras carreiras da segurança pública do DF.
Enquanto categorias ligadas à área já haviam passado por reestruturações recentes, os servidores do Detran permaneciam com tabelas defasadas desde 2013.
Para Pedrosa, a aprovação corrige uma distorção histórica.
“Não fazia sentido que carreiras que atuam lado a lado tivessem sido contempladas e os servidores do Detran ficassem de fora”, afirmou o deputado.
Corrida contra o tempo
A aprovação ocorreu na véspera de um prazo sensível do calendário eleitoral. A partir de 7 de abril, a legislação impede a concessão de reajustes a servidores públicos, o que aumentou a pressão para votação imediata.
Nos bastidores, a leitura é de que a articulação política foi decisiva para viabilizar o avanço do projeto dentro do prazo.
O que muda
O Projeto de Lei nº 2255/2026 prevê a atualização das tabelas salariais das carreiras de Atividades de Trânsito e de Policiamento e Fiscalização de Trânsito.
Os novos valores serão pagos em duas parcelas ao longo de 2026.
Além disso:
- Os servidores serão reposicionados conforme o tempo de exercício, com progressão de um padrão a cada 12 meses
- Não haverá exigência de avaliação de mérito para esse reenquadramento
- Aposentados e pensionistas com paridade também serão contemplados
Fim de um ciclo
A aprovação encerra um período de mais de 12 anos de reivindicações da categoria. Para os servidores, a medida representa não apenas ganho financeiro, mas também reconhecimento institucional.
O projeto agora depende apenas da sanção do Executivo para entrar em vigor.

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