A crise envolvendo o Banco Master ganhou mais um capítulo político após a divulgação de informações ligando um nome próximo ao senador Flávio Bolsonaro a um suposto plano de desgaste institucional contra o Banco Central.
Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, o publicitário Marcello Lopes, conhecido como “Marcelão” e apontado como coordenador da estratégia de comunicação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, foi citado em um documento relacionado ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O material teria sido elaborado no contexto de uma estratégia voltada à pressão política e institucional sobre o Banco Central do Brasil e integrantes da diretoria da instituição.
O que diz o chamado “Projeto DV”
De acordo com a reportagem, o nome de Marcello Lopes apareceria em um documento denominado “Projeto DV”, supostamente desenvolvido para estruturar uma campanha de comunicação contra o Banco Central e contra o então diretor Renato Gomes.
Segundo relatos publicados, o objetivo seria construir uma estratégia de desgaste institucional em meio às tensões envolvendo interesses do Banco Master e decisões regulatórias da autoridade monetária.
A revelação ampliou a repercussão política do caso, especialmente pelo vínculo do marqueteiro com a pré-campanha de Flávio Bolsonaro.
A defesa de Marcello Lopes
Marcello Lopes negou participação no suposto plano.
À Folha, o publicitário afirmou que não autorizou a inclusão do seu nome no projeto e declarou que pagamentos recebidos estariam relacionados a trabalhos privados anteriores, sem ligação com qualquer ação contra o Banco Central.
Segundo ele:
“O que me recordo é que o Thiago comentou comigo sobre a possibilidade de eu entrar em um projeto grande que ele estaria fechando.”
Já Thiago Miranda confirmou ao jornal ter incluído o nome de Marcello Lopes no documento, mas alegou que isso teria ocorrido para “dar peso” à apresentação comercial.
Ainda segundo Miranda, Marcelão teria deixado o projeto após descobrir ligação com interesses do Banco Master.
Os contratos da agência no governo Bolsonaro
Outro ponto destacado pela reportagem envolve a agência do publicitário, a Cálix Propaganda.
Segundo dados do Portal da Transparência citados pela Folha, a empresa teria vencido licitações durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro que resultaram em contratos estimados em cerca de R$ 70 milhões anuais com o governo federal.
A publicação afirma que esses teriam sido os primeiros contratos federais relevantes da agência desde sua criação, em 2003.
Até o momento, não há acusação formal ou decisão judicial apontando irregularidade de Marcello Lopes, Flávio Bolsonaro ou da Cálix Propaganda no caso.
O episódio, porém, adiciona mais um elemento político ao conjunto de controvérsias envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master e seus bastidores de influência institucional.

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