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MPF acende alerta e quer ampliar proteção contra perseguição judicial a jornalistas

 
A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, ligada ao Ministério Público Federal, divulgou uma nota técnica defendendo a ampliação do conceito de assédio judicial contra jornalistas e comunicadores. O objetivo, segundo o órgão, é impedir o uso abusivo da Justiça como instrumento de intimidação, censura ou limitação do trabalho da imprensa.
A manifestação busca fortalecer a proteção ao direito constitucional da liberdade de expressão e ao papel exercido pelo jornalismo na democracia brasileira.

O que é assédio judicial?
Na avaliação da PFDC, o assédio judicial não deve ser interpretado apenas como o ajuizamento simultâneo de várias ações idênticas contra um mesmo profissional, entendimento que já possui reconhecimento no Supremo Tribunal Federal.
O órgão defende que o conceito seja ampliado para incluir outras práticas que tenham como objetivo dificultar críticas, restringir a circulação de informações ou pressionar profissionais da imprensa.
Entre os exemplos apontados estão:
  • pedidos de indenização considerados excessivos
  • tentativas de remoção de conteúdo jornalístico
  • ações criminais classificadas como desproporcionais
  • medidas judiciais com potencial de silenciar comunicadores

Critérios para identificar abuso
Ao citar estudos internacionais, a nota técnica aponta três critérios principais para caracterizar o assédio judicial:
  • uso excessivo de instrumentos judiciais
  • desequilíbrio de poder entre as partes
  • intenção de intimidar, constranger ou silenciar jornalistas
Segundo o documento, essas práticas podem gerar efeitos severos, como desgaste emocional, pressão financeira e autocensura em profissionais e veículos de comunicação.

Liberdade de imprensa e fake news
A PFDC ressalta que a proteção contra o assédio judicial não deve ser confundida com permissividade diante da desinformação.
O órgão sustenta que o combate às fake news e a responsabilização por conteúdos falsos podem coexistir com garantias à liberdade de imprensa, desde que não haja utilização do sistema judicial como mecanismo de intimidação.
O documento foi assinado por representantes da área de direitos do cidadão do MPF e reacende o debate sobre os limites entre direito de resposta, responsabilização judicial e proteção ao exercício do jornalismo no Brasil.

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