A tentativa de colaboração premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal continua produzindo repercussões em Brasília, mesmo após a rejeição inicial do acordo pelos investigadores.
Documentos entregues pela defesa do empresário revelaram a existência de um suposto novo contrato de R$ 50 milhões envolvendo uma empresa ligada ao Banco Master e o escritório de advocacia comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Segundo informações incluídas na proposta de delação, o documento teria sido elaborado em agosto de 2025, mas não chegou a ser assinado.
O contrato que chamou atenção dos investigadores
De acordo com pessoas ligadas ao caso, o objetivo do novo instrumento contratual seria garantir o pagamento integral do contrato principal firmado anteriormente entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes.
O contrato original, assinado em janeiro de 2024, previa pagamentos que totalizariam aproximadamente R$ 129 milhões ao longo de sua vigência.
Segundo a documentação divulgada, os serviços contratados envolveriam consultoria jurídica, assessoria estratégica e atuação em temas relacionados a órgãos federais como Banco Central, Receita Federal, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Cade.
Escritório confirma contrato principal
Em manifestações públicas anteriores, o escritório de Viviane Barci de Moraes confirmou a existência do contrato original e afirmou que os serviços foram efetivamente prestados.
A defesa informou que houve dezenas de reuniões, elaboração de pareceres jurídicos e centenas de horas de trabalho durante a execução do contrato.
Os representantes da advogada sustentam que a contratação ocorreu dentro da legalidade e sem qualquer irregularidade.
PF rejeitou primeira proposta
Apesar das revelações, a Polícia Federal rejeitou a primeira proposta de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro no fim de maio.
Segundo informações divulgadas, os investigadores consideraram que os elementos apresentados eram insuficientes para justificar um acordo nos moldes pretendidos pelo empresário.
No entanto, Vorcaro protocolou uma nova proposta de delação no início de junho, acrescentando novos fatos, documentos e personagens.
PGR e PF avaliam próximos passos
A nova proposta está sendo analisada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
As autoridades deverão avaliar a consistência das informações apresentadas, a capacidade de comprovação dos fatos narrados e a relevância dos elementos para as investigações em andamento.
Somente após essa análise será possível decidir se haverá ou não a abertura de negociações para um eventual acordo de colaboração premiada.
Caso segue gerando repercussão política
O episódio continua provocando debates nos bastidores de Brasília por envolver personagens relevantes do sistema financeiro, do meio jurídico e das instituições da República.
Enquanto a investigação prossegue, permanecem sem conclusão oficial as suspeitas levantadas na proposta de delação, cabendo às autoridades verificar a autenticidade dos documentos e a veracidade das informações apresentadas pelo ex-controlador do Banco Master.

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