Estatal estuda fechamento de cerca de mil unidades e busca reduzir despesas para enfrentar crise financeira
Os Correios avançam na elaboração de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV) que poderá alcançar até 7 mil funcionários em todo o país. A medida faz parte do plano de reestruturação da estatal diante do agravamento de sua situação financeira e deve ser anunciada nas próximas semanas.
O programa ficará aberto para adesões até o fim de 2026 e integra um conjunto de ações voltadas à redução de despesas operacionais e administrativas.
A preocupação da direção da empresa aumentou após a divulgação dos resultados financeiros mais recentes. Apenas no primeiro trimestre deste ano, os Correios registraram prejuízo de R$ 3,1 bilhões, valor cerca de 80% superior ao observado no mesmo período do ano anterior.
Rombo cresce ano após ano
O cenário financeiro da estatal vem se deteriorando rapidamente.
Em 2025, os Correios encerraram o exercício com prejuízo acumulado de R$ 8,5 bilhões, mais de três vezes superior ao déficit registrado em 2024, que havia sido de R$ 2,6 bilhões.
Mesmo com medidas de contenção de gastos já implementadas, projeções internas indicam que as perdas poderão se aproximar de R$ 10 bilhões ao longo de 2026 caso não haja mudanças estruturais.
Fechamento de unidades
O novo PDV deverá ser direcionado principalmente aos empregados lotados em unidades que serão desativadas.
O plano de reorganização prevê o fechamento de aproximadamente mil estruturas em todo o país, incluindo centros de tratamento de encomendas, áreas de armazenagem e agências de atendimento ao público.
A intenção é adequar a estrutura da empresa à nova realidade do mercado postal e reduzir custos considerados excessivos pela administração.
Nova rodada terá regras mais rígidas
Ao contrário do primeiro Programa de Demissão Voluntária realizado neste ano, a nova versão deverá oferecer condições menos vantajosas.
Segundo informações preliminares, as indenizações serão menores e haverá um teto máximo de pagamento que ainda está sendo definido.
A direção da estatal também optou por não estabelecer uma meta oficial de adesões.
Na primeira edição do programa, realizada entre fevereiro e março, cerca de 3 mil empregados aderiram ao desligamento voluntário, número muito inferior à expectativa inicial de 10 mil participantes.
Demissões não estão descartadas
Nos bastidores, a administração dos Correios admite que poderá adotar medidas mais duras caso a adesão ao novo PDV fique abaixo do esperado.
Entre as alternativas estudadas está a possibilidade de desligamentos forçados, hipótese que já gera preocupação entre sindicatos e representantes dos trabalhadores.
A proposta ainda passa pela análise da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação.
Governo aposta em recuperação até 2027
Além do corte de despesas, o governo federal pretende recuperar o equilíbrio financeiro da estatal por meio do aumento das receitas.
Entre as estratégias estão a ampliação de serviços, novos modelos de negócios e parcerias com a iniciativa privada.
A expectativa da administração é que as medidas permitam a recuperação gradual dos Correios e a retomada da sustentabilidade financeira até 2027.
Enquanto isso, milhares de funcionários acompanham com atenção os próximos passos da empresa, que enfrenta um dos períodos mais desafiadores de sua história recente.
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