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Rússia amplia interesse no setor nuclear brasileiro e mira mercado estratégico da América Latina



A Rússia deu mais um passo na tentativa de ampliar sua presença econômica e tecnológica no Brasil. Durante reunião da Comissão Intergovernamental Russo-Brasileira de Comércio e Cooperação Econômica, Científica e Técnica, realizada em Brasília, representantes do governo russo manifestaram interesse em participar da expansão do setor nuclear brasileiro, incluindo a construção de novos reatores e projetos ligados ao ciclo do combustível nuclear.
A proposta foi apresentada pelo ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maxim Reshetnikov, que destacou o interesse da estatal nuclear Rosatom em aprofundar a cooperação com o Brasil.

Brasil entra no radar estratégico de Moscou
O movimento ocorre em um momento em que o Kremlin busca fortalecer relações econômicas com países considerados estratégicos na América Latina, Ásia e África.
Desde o início da guerra na Ucrânia, a Rússia passou a enfrentar sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia, o que acelerou sua busca por novos mercados e parceiros internacionais.
Nesse contexto, o Brasil surge como um alvo altamente relevante por reunir três características consideradas estratégicas:
  • Grandes reservas de urânio
  • Domínio de etapas importantes do ciclo nuclear
  • Necessidade futura de expansão da geração elétrica

Rosatom quer ampliar presença
A estatal russa Rosatom já mantém relações com o Brasil há vários anos.
Em 2022, uma subsidiária do grupo firmou contrato com a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) para serviços de enriquecimento de urânio destinados ao abastecimento das usinas de Angra dos Reis.
Além disso, empresas do grupo russo fornecem radioisótopos utilizados em pesquisas científicas e tratamentos médicos no país.
Agora, a intenção vai além do fornecimento de combustível e materiais especializados.
Os russos manifestaram interesse em participar da construção de novos reatores de grande porte e também de pequenas centrais nucleares modulares.

Energia nuclear ganha peso geopolítico
O avanço da cooperação ocorre em um cenário de crescente disputa internacional por tecnologias ligadas à energia, minerais estratégicos e segurança energética.
Segundo centros internacionais de pesquisa, a Rússia permanece entre os maiores exportadores mundiais de tecnologia nuclear e atualmente participa da construção de dezenas de reatores em diversos países.
O setor nuclear continua sendo uma das principais ferramentas de influência internacional do governo russo.

Brasil busca expansão do setor
O governo brasileiro discute atualmente projetos voltados para:
  • ⚡ Expansão da geração nuclear
  • ⚡ Desenvolvimento do ciclo do combustível
  • ⚡ Produção de radioisótopos
  • ⚡ Modernização da infraestrutura energética
  • ⚡ Novas tecnologias para uso pacífico da energia nuclear
Especialistas observam que o interesse internacional pelo Brasil cresce à medida que o país amplia sua relevância como fornecedor potencial de urânio e como mercado para novas tecnologias energéticas.

Atenção internacional
Embora o programa nuclear brasileiro seja voltado exclusivamente para fins pacíficos e esteja submetido a acordos internacionais de não proliferação, o fortalecimento da cooperação entre Brasília e Moscou tende a ser acompanhado de perto por governos ocidentais.
Em meio às disputas geopolíticas envolvendo Rússia, Estados Unidos e União Europeia, o setor nuclear tornou-se um dos campos mais sensíveis da competição internacional por influência econômica e tecnológica.
A aproximação entre Brasil e Rússia nessa área poderá ter reflexos que vão além da energia, alcançando temas ligados à diplomacia, comércio internacional e segurança estratégica nas próximas décadas.

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