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BRASIL AINDA CONVIVE COM VERGONHA NACIONAL; 8,4 MILHÕES NÃO SABEM LER E ESCREVER E NORDESTE CONCENTRA MAIS DA METADE DOS CASOS

 
O Brasil comemora a menor taxa de analfabetismo da história. Pela primeira vez desde o início da série do IBGE, o índice ficou abaixo de 5%. À primeira vista, o resultado parece motivo de celebração.
Mas basta olhar os números com mais atenção para perceber que há pouco o que comemorar.
Em pleno 2025, 8,4 milhões de brasileiros ainda não sabem ler nem escrever. É uma população maior do que a de muitos estados brasileiros. São milhões de pessoas privadas de um direito básico, que enfrentam dificuldades para conseguir emprego, acessar serviços públicos, compreender documentos e exercer plenamente a cidadania.
O dado mais preocupante está na distribuição desse problema.
Mais da metade de todos os analfabetos do país vive no Nordeste. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), 57,4% dos brasileiros que não sabem ler nem escrever estão na região. Isso representa cerca de 4,8 milhões de pessoas.
O contraste é evidente. O Nordeste reúne pouco mais de um quarto da população brasileira, mas concentra mais da metade de todo o analfabetismo do país. Essa diferença revela que o acesso à educação continua profundamente desigual entre as regiões.
Os números também mostram que o problema atinge principalmente os idosos. Entre brasileiros com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo chega a 13,8%. Dos 8,4 milhões de analfabetos, cerca de 4,8 milhões pertencem a essa faixa etária.
É verdade que houve avanço. Em 2016, o Brasil tinha 10,6 milhões de analfabetos. Em comparação com 2024, aproximadamente 592 mil pessoas deixaram essa condição. Toda redução merece ser reconhecida.
Mas transformar essa melhora em motivo de comemoração sem considerar o tamanho do desafio significa ignorar a realidade de milhões de brasileiros.
O país já possui recursos tecnológicos, universidades, programas educacionais e arrecadação muito superiores aos de décadas atrás. Ainda assim, convive com um contingente de analfabetos que deveria ter sido drasticamente reduzido há muito tempo.
A educação básica é um direito garantido pela Constituição. Quando milhões de pessoas chegam à vida adulta sem aprender a ler e escrever, isso evidencia falhas acumuladas ao longo de anos nas políticas públicas voltadas à alfabetização e à permanência na escola.
O levantamento do IBGE mostra ainda que todos os estados reduziram suas taxas de analfabetismo na última década, com exceção do Amapá. Alagoas e Piauí continuam registrando os maiores índices do país.
Ao mesmo tempo em que cresce o percentual de brasileiros com ensino médio e ensino superior completos, ainda existem milhões que sequer tiveram acesso ao conhecimento mais elementar.
Uma nação que pretende crescer economicamente, reduzir desigualdades e ampliar oportunidades não pode considerar normal que 8,4 milhões de cidadãos permaneçam excluídos da alfabetização.
O recorde anunciado pelo IBGE mostra que houve progresso. Mas os números também deixam uma pergunta inevitável: quantos recordes ainda serão comemorados antes que o Brasil consiga garantir a todos os seus cidadãos o direito mais básico de qualquer sistema educacional, aprender a ler e escrever?

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