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BRASIL SAI DO MAPA DA FOME, MAS VER POPULAÇÃO DE RUA DOBRAR


Dados do CadÚnico mostram crescimento do número de brasileiros sem moradia, enquanto governo atribui parte da alta ao aprimoramento do cadastramento
O Brasil voltou a ser retirado do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), resultado celebrado pelo governo federal como um dos principais indicadores sociais da atual gestão. Ao mesmo tempo, outro dado oficial chama atenção: o crescimento do número de pessoas registradas em situação de rua no país.
Segundo informações do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), principal base de dados utilizada pelo governo federal para identificar famílias de baixa renda, o número de pessoas cadastradas em situação de rua passou de 198,7 mil em dezembro de 2022 para 392,4 mil em junho de 2026.
Os números indicam um aumento expressivo no período e reacendem o debate sobre os desafios das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da pobreza extrema, da falta de moradia e da exclusão social.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, parte desse crescimento decorre da ampliação das equipes responsáveis pelo cadastramento e da melhoria na identificação da população em situação de rua pelos municípios. Segundo a pasta, pessoas que antes não estavam registradas passaram a integrar a base de dados após mudanças nos procedimentos de coleta de informações.
Especialistas, por outro lado, observam que o aumento dos registros também pode refletir fatores estruturais que afetam diferentes regiões do país, como déficit habitacional, desemprego, ruptura de vínculos familiares, dependência química, transtornos mentais e dificuldades de acesso às políticas públicas.
Em dezembro de 2023, o governo federal lançou o Plano Nacional Ruas Visíveis, iniciativa voltada ao fortalecimento das ações de assistência social, saúde, documentação civil, qualificação profissional e acesso à moradia para pessoas em situação de rua.
Apesar da criação do programa, os dados mais recentes do CadÚnico mostram que o contingente de pessoas registradas nessa condição continuou crescendo nos anos seguintes, o que levou especialistas e gestores públicos a discutir a necessidade de ampliar e aperfeiçoar as políticas destinadas a esse público.
O aumento foi registrado em diferentes regiões do Brasil, ainda que em intensidades distintas. Estados das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul apresentaram crescimento no número de pessoas cadastradas em situação de rua, indicando que o fenômeno possui características nacionais e envolve múltiplos fatores econômicos e sociais.
A comparação entre a saída do Brasil do Mapa da Fome e o avanço do número de pessoas vivendo nas ruas evidencia que indicadores sociais podem retratar dimensões diferentes da realidade. Enquanto o primeiro mede o acesso da população à alimentação, o segundo está relacionado à ausência de moradia e à vulnerabilidade social.
Os dois indicadores mostram que, embora tenham ocorrido avanços em algumas áreas, permanecem desafios importantes para as políticas públicas voltadas à redução da pobreza, à inclusão social e ao acesso à moradia no país.

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