O governo federal registrou um déficit primário de R$ 48,2 bilhões em junho, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Tesouro Nacional. O resultado representa uma piora em relação ao mesmo mês de 2025, quando o déficit foi de R$ 46,3 bilhões, em valores corrigidos pela inflação.
O resultado é o pior para um mês de junho desde 2023, quando as contas públicas registraram saldo negativo de R$ 51,6 bilhões.
O déficit primário ocorre quando as despesas do governo superam as receitas com tributos e impostos, desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública.
Gastos cresceram acima da inflação
De acordo com o Tesouro Nacional, as despesas do governo alcançaram R$ 243,3 bilhões em junho, crescimento real de 9% em relação ao mesmo período do ano passado.
Entre os principais fatores para o aumento dos gastos estão:
- Despesas do Poder Executivo: +R$ 10,1 bilhões
- Créditos extraordinários: +R$ 2,8 bilhões
- Benefícios previdenciários: +R$ 2,1 bilhões
- Abono salarial e seguro-desemprego: +R$ 1,7 bilhão
- Pessoal e encargos sociais: +R$ 1,3 bilhão
Arrecadação também aumentou
As receitas líquidas do governo somaram R$ 195,2 bilhões em junho, alta real de 10,3% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Segundo o Tesouro Nacional, o crescimento da arrecadação foi impulsionado pela atividade econômica, pelas medidas de aumento de receitas adotadas pelo governo federal e pelo desempenho do setor de petróleo.
Apesar disso, o avanço da arrecadação não foi suficiente para compensar o crescimento das despesas.
Déficit acumulado supera R$ 92 bilhões
No acumulado do primeiro semestre de 2026, o déficit primário chegou a R$ 92,2 bilhões.
Segundo o Tesouro, parte desse resultado está relacionada ao pagamento antecipado de precatórios realizado em março, que concentrou uma parcela significativa das despesas na primeira metade do ano.
Os dados fazem parte do Relatório do Tesouro Nacional sobre a execução das contas públicas e refletem a situação fiscal do governo federal ao longo de 2026.

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