Levantamento BTG Pactual/Nexus aponta comportamentos distintos entre os dois maiores grupos religiosos do país e reforça a importância do voto cristão no cenário eleitoral
A pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada no fim de junho trouxe um recorte que chamou a atenção de analistas políticos ao revelar diferenças significativas entre o comportamento eleitoral de católicos e evangélicos em uma eventual disputa presidencial de 2026.
Na simulação de segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, Lula aparece com 53% das intenções de voto entre os eleitores católicos, contra 38% de Flávio. Entre os evangélicos, o cenário é inverso: Flávio Bolsonaro lidera com 60%, enquanto Lula registra 32%.
O levantamento foi realizado por telefone entre os dias 26 e 28 de junho, ouviu 2.009 eleitores, possui margem de erro de dois pontos percentuais e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08521/2026.
No cenário estimulado de primeiro turno, o padrão também aparece. Entre os católicos, Lula registra 48% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro tem 29%. Já entre os evangélicos, Flávio lidera com 48% e Lula soma 25%.
Os números sugerem que o voto religioso no Brasil continua longe de ser homogêneo. Embora católicos e evangélicos compartilhem a matriz cristã, os dois grupos apresentam comportamentos eleitorais bastante distintos.
Especialistas apontam que essa diferença pode estar relacionada a fatores históricos, sociais e culturais. Entre os evangélicos, a participação frequente nas igrejas e a forte vida comunitária costumam aproximar o debate religioso do cotidiano e da política. Temas como família, liberdade religiosa, segurança pública e costumes aparecem com frequência nas discussões dessas comunidades.
Entre os católicos, o cenário é mais diversificado. A Igreja Católica continua sendo a maior instituição religiosa do país, mas reúne perfis bastante diferentes. Há desde fiéis que participam regularmente da vida paroquial até pessoas que se identificam como católicas por tradição familiar ou identidade cultural, com diferentes níveis de envolvimento com a prática religiosa.
Pesquisadores também observam que a trajetória histórica das duas tradições religiosas ajuda a compreender parte desse comportamento. Nas últimas décadas, setores do catolicismo brasileiro se aproximaram de movimentos sociais e de debates sobre questões econômicas e sociais, enquanto muitas igrejas evangélicas ampliaram sua atuação pública enfatizando temas ligados à família, valores morais e responsabilidade individual.
Os próprios dados da pesquisa mostram diferenças no grau de identificação política. Entre os evangélicos, 35% se declaram bolsonaristas convictos e 13% lulistas convictos. Entre os católicos, o cenário é mais equilibrado: 27% afirmam ser lulistas convictos e 24% bolsonaristas convictos.
O levantamento reforça a importância do eleitorado católico para a eleição de 2026. Segundo o Censo de 2022, os católicos ainda representam pouco mais da metade da população brasileira, enquanto os evangélicos correspondem a mais de um quarto dos brasileiros e seguem em crescimento.
Para analistas, esse cenário indica que a disputa pelo voto católico tende a ocupar papel relevante na próxima eleição presidencial. Ao mesmo tempo, evidencia que a religião continua sendo um elemento importante na formação das preferências políticas, embora não seja o único fator considerado pelo eleitor.
A pesquisa mostra, em síntese, que o voto religioso permanece um componente significativo da política brasileira. Mais do que indicar um comportamento uniforme entre os cristãos, os dados revelam que diferentes experiências religiosas, trajetórias pessoais e prioridades sociais podem resultar em escolhas eleitorais distintas, tornando esse segmento um dos mais relevantes para o debate político de 2026.

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