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COMPROVADA OPERAÇÃO MILIONÁRIA CONTRA FLÁVIO BOLSONARO NAS REDES SOCIAIS

 
A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma representação pedindo a investigação de uma suposta rede coordenada de perfis falsos que teria impulsionado anúncios políticos contra lideranças da direita nas redes sociais.
Segundo a representação, foram identificadas 51 páginas com características semelhantes, responsáveis pela publicação de 4.607 anúncios patrocinados entre março e o fim de junho. A equipe jurídica estima que os impulsionamentos tenham movimentado cerca de R$ 3 milhões, além de US$ 20 mil e 42 mil pesos colombianos.

Estrutura chamou atenção da defesa
De acordo com a advogada Maria Claudia Bucchianeri, responsável pela representação, a estrutura foi identificada durante o monitoramento da biblioteca pública de anúncios da Meta.
Segundo ela, perfis com poucos seguidores estariam contratando campanhas publicitárias de alto valor, algumas chegando a aproximadamente R$ 200 mil.
"Estou há 20 anos cuidando de Direito Eleitoral. Nunca vi nada parecido", afirmou Bucchianeri durante atendimento à imprensa.

Representação descreve funcionamento da rede
A representação sustenta que pessoas utilizariam documentos falsos, linhas telefônicas e diferentes meios de pagamento para criar páginas, contratar anúncios políticos e, posteriormente, excluir esses perfis.
Segundo a peça, novas contas eram abertas em seguida com características semelhantes, dificultando a identificação dos responsáveis e a preservação das provas.

Pagamentos em diferentes moedas
Outro aspecto destacado pela equipe jurídica foi a utilização de três moedas diferentes para financiar os anúncios: reais, dólares americanos e pesos colombianos.
A defesa afirma que, até o momento, não há elementos que permitam concluir por que parte dos pagamentos foi realizada em moeda colombiana ou se houve participação de pessoas ou organizações no exterior.
Também foi identificada a recorrência de linhas telefônicas com DDD 41, informação que, segundo os advogados, ainda dependerá de investigação para verificar eventual relevância.

Pedido de quebra de informações
Na representação, a pré-campanha solicita que a Meta forneça ao TSE dados como endereços de IP, informações cadastrais, números telefônicos e registros dos meios de pagamento utilizados na contratação dos anúncios.
O objetivo é identificar quem administrava as páginas, quem financiou os impulsionamentos e se existia coordenação entre os diferentes perfis.
Segundo os advogados, a análise realizada utilizou exclusivamente informações públicas disponíveis na biblioteca de anúncios da plataforma, tendo alcançado o limite do que seria possível sem autorização judicial.

Não há acusação formal contra partidos
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a representação não atribui responsabilidade, neste momento, a partidos, candidatos ou grupos políticos específicos.
"Não estamos acusando ninguém. Queremos que a investigação aconteça para identificar quem está por trás dessa ação", declarou.
A existência de uma rede coordenada, sua origem, seus financiadores e eventual vínculo político ainda dependerão da apuração da Justiça Eleitoral e das informações que poderão ser fornecidas pelas plataformas digitais e demais órgãos envolvidos.

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