Governadora afirma que declarações do presidente podem agravar a crise de liquidez e anuncia denúncia à CVM
A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão, elevou o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o acusou de cometer um “crime contra o sistema financeiro” ao falar sobre a crise do Banco de Brasília.
A declaração foi dada durante sabatina promovida pelos veículos O Globo, Valor Econômico e CBN.
Segundo Celina, as falas do presidente podem aumentar a desconfiança sobre o BRB, prejudicar sua liquidez e dificultar a obtenção dos recursos necessários para estabilizar a instituição.
A governadora afirmou que o Governo do Distrito Federal está protocolando uma denúncia na Comissão de Valores Mobiliários contra Lula. A acusação ainda precisará ser analisada e não existe, até o momento, decisão da CVM reconhecendo qualquer irregularidade.
Lula disse que governo federal não dará dinheiro ao BRB
O embate começou depois de Lula afirmar que o governo federal não colocará recursos para cobrir os prejuízos relacionados às operações realizadas entre o BRB e o Banco Master.
Durante ato realizado em Ceilândia, o presidente responsabilizou o Governo do Distrito Federal pela crise e criticou a tentativa de transferir parte da responsabilidade para a União.
Lula também chamou Celina de “cínica e mentirosa” e relacionou os problemas do banco à aproximação do governo de Ibaneis Rocha com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Celina respondeu afirmando que Lula deveria separar a disputa eleitoral de sua responsabilidade como presidente da República.
Celina afirma que declaração prejudica o banco
Na entrevista, a governadora argumentou que uma declaração do presidente contra uma instituição financeira pode gerar insegurança entre investidores, clientes e possíveis financiadores.
“Ele comete um crime contra o sistema financeiro, comete um crime contra o BRB. Ele ataca uma instituição”, declarou.
Celina afirmou que Lula possui liberdade para criticá-la politicamente, pedir votos para seu adversário e fazer campanha contra sua reeleição. Segundo ela, o presidente não poderia desacreditar publicamente o BRB enquanto existem medidas judiciais e financeiras em andamento para salvar o banco.
“Ele pode brigar comigo politicamente, pode falar para não votar em mim, pode fazer campanha para o candidato dele, mas ele não pode, com uma ACO aberta, falar que não vai ter uma ação”, afirmou.
GDF busca empréstimo de até R$ 6,6 bilhões
Celina defendeu a obtenção de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para enfrentar a crise provocada pelas operações do BRB com o Banco Master.
A governadora também cobrou a participação de bancos públicos federais na operação, incluindo Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
O GDF tenta obter recursos para fortalecer a situação financeira do banco, garantir sua liquidez e permitir a publicação das demonstrações financeiras que permanecem pendentes.
Celina sustenta que o empréstimo não representa entrega gratuita de dinheiro público, mas uma operação que deverá ser paga pelo BRB.
Denúncia será encaminhada à CVM
Questionada sobre a medida que seria adotada contra Lula, Celina informou que uma representação está sendo protocolada na Comissão de Valores Mobiliários.
“Estamos protocolando uma ação na Comissão de Valores Mobiliários, pois é crime contra o sistema financeiro”, disse.
A governadora argumenta que Lula teria contribuído para o descrédito de uma instituição financeira que atravessa um momento delicado e busca recursos para evitar o agravamento de sua crise.
A CVM deverá avaliar se possui competência sobre os fatos narrados e se as declarações podem ter causado algum impacto irregular sobre o mercado.
Crise do BRB entra definitivamente na campanha
O confronto mostra que o futuro do BRB se tornou um dos principais temas da eleição no Distrito Federal.
Lula tenta responsabilizar o governo local pelas operações realizadas com o Banco Master. Celina, por sua vez, acusa o presidente de agir como cabo eleitoral e dificultar uma solução financeira para o banco.
Em meio à disputa política, permanece a preocupação com os clientes, os seis mil empregados e os programas públicos ligados ao BRB.
A crise também coloca em debate quem deverá assumir os prejuízos provocados pelas operações com o Master e quais garantias serão exigidas para a concessão de um empréstimo bilionário.
Agora, além da disputa eleitoral, o confronto poderá chegar à CVM e a outros órgãos de fiscalização. A acusação de crime feita por Celina dependerá de análise técnica e jurídica para produzir qualquer consequência formal.

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