Movimento ocorre mesmo com Romeu Zema na disputa pela Presidência e abre nova frente de articulação entre integrantes da direita na reta final da eleição
A reta final da eleição presidencial ganhou uma movimentação dentro do Partido Novo. Candidatos da legenda começaram a declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) já no primeiro turno, mesmo com Romeu Zema concorrendo oficialmente à Presidência da República.
Segundo apuração da CNN Brasil, a movimentação recebeu autorização de Zema.
Uma das primeiras candidatas a tornar publicamente a decisão foi Marina Helena, que disputa uma vaga de deputada federal por São Paulo.
Antes de anunciar sua posição, Marina afirmou ter conversado diretamente com Zema.
Segundo ela, o candidato presidencial do Novo autorizou que seguisse com o posicionamento.
Mariana Helena declara apoio a Flávio
Marina Helena justificou sua decisão afirmando que pretende concentrar esforços na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A candidata também citou questões relacionadas ao Supremo Tribunal Federal como uma das razões para sua decisão.
A manifestação é individual e não representa, até o momento, uma retirada da candidatura presidencial de Zema nem uma mudança formal do Novo para apoiar Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
Sebastião Coelho também entra no movimento
No Distrito Federal, Sebastião Coelho, candidato do Novo ao Senado, também declarou apoio a Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
Sebastião vem defendendo publicamente uma união entre candidatos e eleitores de direita em torno do nome do candidato do PL.
O movimento chama atenção porque ocorre enquanto o próprio Novo possui candidato à Presidência.
Zema permanece oficialmente na disputa, tendo Eduardo Girão como candidato a vice-presidente em sua chapa.
Zema admite apoio a Flávio no segundo turno
A aproximação acontece depois de Romeu Zema sinalizar que apoiaria Flávio Bolsonaro caso o candidato do PL chegasse ao segundo turno contra Lula.
Durante participação em debate promovido pela VEJA, Zema afirmou que permaneceria contra o PT caso não avançasse para a segunda etapa da eleição.
Posteriormente, em entrevista à Jovem Pan Campinas, confirmou que apoiaria Flávio em um eventual confronto com Lula.
Agora, a autorização para que integrantes do Novo apoiem Flávio ainda no primeiro turno representa um passo diferente: permite que candidatos da própria legenda manifestem preferência por um adversário de Zema antes mesmo da primeira votação.
Movimento acontece na reta final
A articulação ocorre a poucos dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Flávio Bolsonaro tem buscado ampliar seu apoio entre eleitores de direita e centro-direita que atualmente consideram outros candidatos, movimento tratado pelas campanhas como disputa pelo chamado voto útil.
Esse eleitorado também é disputado por nomes como Zema, Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão).
Pesquisas recentes mostram Lula e Flávio nas duas primeiras posições, enquanto os demais candidatos disputam uma parcela menor do eleitorado. Os percentuais variam conforme o instituto.
Zema continua candidato
Apesar das manifestações dentro do Novo, não houve anúncio de retirada da candidatura de Romeu Zema.
O Tribunal Superior Eleitoral mantém registrada a chapa formada por Zema e Eduardo Girão na disputa pela Presidência.
Por isso, o movimento deve ser entendido como uma autorização para manifestações individuais de candidatos do partido, e não como apoio oficial do Novo a Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
A movimentação, no entanto, revela uma divisão prática na reta final: enquanto Zema permanece candidato ao Palácio do Planalto, integrantes de sua própria legenda decidiram declarar preferência por Flávio Bolsonaro já na primeira votação.

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