Ex-deputado questiona decisão individual de Floriano de Azevedo Marques, tomada na mesma semana em que apresentou um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes
O ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo) reagiu à decisão do Tribunal Superior Eleitoral que suspendeu sua campanha ao Senado pelo Paraná.
Em publicação nas redes sociais neste domingo (20), Deltan relacionou a liminar ao ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, e destacou a amizade mantida pelo magistrado com Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal.
Segundo Deltan, a suspensão ocorreu na mesma semana em que ele apresentou a candidatos de diferentes regiões do país um pedido de impeachment contra Moraes.
“Floriano de Azevedo Marques é amigo de Alexandre de Moraes desde os tempos da faculdade”, escreveu.
Deltan também afirmou que a indicação de Floriano ao TSE teria sido anunciada publicamente por Moraes antes da comunicação oficial feita pelo presidente Lula.
Decisão individual suspendeu atos da campanha
A liminar foi concedida por Floriano no sábado (19), em uma ação apresentada pela Coligação Paraná Para Todos e pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB.
A medida suspendeu os atos de campanha de Deltan até que o plenário do TSE analise o recurso apresentado contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná.
O TRE-PR havia autorizado, por 4 votos a 3, o registro da candidatura de Deltan ao Senado em 9 de setembro.
Com a nova decisão, o candidato fica impedido de receber ou utilizar recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Também estão suspensas sua propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão e sua participação em debates.
Deltan criticou o fato de a decisão ter sido tomada individualmente em um processo sigiloso e afirmou que não teve oportunidade de apresentar defesa antes da suspensão.
Amizade de quatro décadas
A relação entre Floriano e Moraes já foi mencionada publicamente pelo próprio ministro do TSE.
Durante um congresso promovido pelo Tribunal de Contas do Município de São Paulo, Floriano afirmou ser amigo de Moraes há cerca de 40 anos.
O evento contou com uma palestra do ministro do STF e uma homenagem por sua trajetória e contribuição ao Estado Democrático de Direito.
Deltan utilizou essa proximidade para questionar a decisão, mas não apresentou prova de que a amizade tenha influenciado diretamente a análise do processo.
Deltan cita caso de Lula em 2018
Ao contestar a liminar, Deltan afirmou que a suspensão contraria o artigo 16-A da Lei das Eleições.
O dispositivo permite que um candidato cujo registro esteja sob análise continue realizando atos de campanha, inclusive com acesso ao horário eleitoral, enquanto não houver uma decisão definitiva.
Deltan comparou sua situação à de Lula na eleição de 2018. Naquele ano, o petista realizou atos eleitorais enquanto aguardava uma decisão definitiva sobre sua candidatura.
O ex-deputado classificou a liminar como um ataque à soberania dos eleitores paranaenses e confirmou que recorrerá da decisão.
Decisão diferente no caso Garotinho
Deltan também chamou atenção para uma decisão anterior de Floriano envolvendo Anthony Garotinho.
Naquele caso, o ministro permitiu a continuidade da campanha e o acesso a recursos públicos, apesar de o registro da candidatura ter sido barrado pelo TRE-RJ.
Floriano considerou que existia uma controvérsia jurídica relevante e que a suspensão antecipada poderia provocar prejuízos irreversíveis ao candidato.
A diferença entre as decisões deverá ser utilizada pela defesa de Deltan para questionar a liminar e pedir autorização para retomar imediatamente a campanha.
Amigo de Moraes no TSE suspende a minha campanha numa decisão sigilosa, a pedido do PT da Gleisi e do Lula. Compartilhe este vídeo e leve a verdade para mais brasileiros que precisam acordar para o que está acontecendo no Brasil. Floriano é Moraes. Moraes é Lula. Mas o Brasil vai… pic.twitter.com/gHWTqUAzze
— Deltan Dallagnol (@deltanmd) September 20, 2026
Plenário do TSE dará a palavra final
A suspensão é temporária e ainda precisa ser analisada pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral.
Os ministros decidirão se mantêm a liminar ou se permitem que Deltan volte a realizar atos de campanha enquanto o recurso contra seu registro continua em julgamento.
Até lá, o candidato permanece impedido de utilizar recursos públicos, aparecer na propaganda eleitoral gratuita e participar de outros atos oficiais da campanha ao Senado pelo Paraná.

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