Presidente do STF afirma que procedimentos ainda precisam ser analisados antes do encerramento da investigação. Fux havia solicitado documentos para examinar ação apresentada pelo PP.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, rejeitou a liberação integral e imediata dos documentos do inquérito das fake news solicitada pelo ministro Luiz Fux. A decisão ocorre após Fux determinar, na quinta-feira (8), que a área técnica da Corte disponibilizasse, em até 48 horas, informações de quatro investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados.
Segundo a Presidência do STF, 104 procedimentos relacionados ao inquérito ainda dependem de avaliação, incluindo petições e apurações preliminares. A conclusão dessa etapa permitirá definir as providências necessárias ao encerramento definitivo da investigação, relatada pelo ministro Alexandre de Moraes.
Fachin apresenta justificativa para a decisão
Em sua manifestação, Fachin explicou que os procedimentos pendentes precisam ser examinados individualmente para identificar os encaminhamentos cabíveis.
Parte do material poderá ser submetida à Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por avaliar eventuais denúncias ou pedidos de arquivamento.
A Presidência do Supremo informou ainda que três dos quatro conjuntos de investigações mencionados por Fux já estão disponíveis para consulta. A pendência concentra-se no inquérito das fake news.
Pedido de Fux envolve questionamentos contra decisões de Moraes
A determinação de Luiz Fux foi apresentada no âmbito de uma ação ajuizada pelo Progressistas (PP) em abril de 2024.
O partido questiona decisões de Alexandre de Moraes relacionadas à operação Tempus Veritatis, que investigou uma tentativa de golpe de Estado envolvendo integrantes do governo de Jair Bolsonaro.
Na ação, a legenda argumenta que determinados procedimentos podem ter violado garantias constitucionais, como o devido processo legal, o contraditório, a segurança jurídica e o princípio do juiz natural.
Fux justificou sua solicitação afirmando que precisa examinar os elementos documentais para avaliar os argumentos apresentados pelo partido.
“O Tribunal não pode saber menos do que as partes sobre o que o Tribunal faz”, escreveu o ministro.
O magistrado ressaltou que sua determinação não antecipa qualquer conclusão sobre a validade das decisões questionadas, a competência do Supremo ou o mérito da ação.
Impasse aguarda novos encaminhamentos
Com a resposta de Fachin, o pedido de Fux permanece parcialmente pendente enquanto a Presidência do STF conclui a análise dos procedimentos identificados.
O episódio coloca em discussão os limites das restrições documentais dentro da própria Corte e as condições necessárias para o exame de questionamentos constitucionais.
A controvérsia ainda não teve uma solução definitiva, e caberá ao Supremo decidir os próximos passos da ação apresentada pelo PP.

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