Ao lado de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, candidato afirmou enxergar nas ruas um movimento semelhante ao que levou Jair Bolsonaro à Presidência
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (23) que percebe um movimento nas ruas semelhante ao observado na campanha de 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente.
A declaração foi feita durante uma transmissão no YouTube ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).
Segundo Flávio, a experiência acumulada em diferentes disputas eleitorais permite identificar quando uma candidatura começa a ganhar força popular.
“Estou na minha 14ª campanha eleitoral, e a gente aprende a sentir um pouquinho o cheiro da rua, quando a onda está crescendo. Estou vendo um movimento igual”, declarou.
Flávio compara momento com eleição de 2018
Ao mencionar a eleição vencida por seu pai, Flávio procura transmitir aos apoiadores a percepção de que sua campanha está crescendo na reta final.
Em 2018, Jair Bolsonaro chegou ao segundo turno na liderança e venceu Fernando Haddad (PT), consolidando uma mobilização marcada pela força das redes sociais e pelo discurso de oposição ao Partido dos Trabalhadores.
A comparação feita por Flávio representa uma avaliação política do próprio candidato. O resultado eleitoral, no entanto, dependerá da votação nas urnas.
Pesquisas recentes apontam uma disputa competitiva entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Levantamento Datafolha citado pela Folha registrou Lula com 39% e Flávio com 36% no primeiro turno, dentro de um cenário que levou as duas campanhas a intensificarem o apelo pelo voto útil.
Campanha busca voto útil na direita
Na reta final, Flávio passou a pedir que eleitores de candidatos menos competitivos concentrem seus votos em sua candidatura.
A estratégia procura unir o eleitorado de direita e aumentar as chances de o candidato do PL avançar para o segundo turno em uma posição mais favorável.
Embora Flávio demonstre confiança publicamente, sua campanha considera pouco provável uma vitória já no primeiro turno. O objetivo imediato é ampliar a votação, reduzir a diferença para Lula e consolidar a união da direita em torno de seu nome.
As pesquisas divulgadas em setembro mostram Lula numericamente à frente no primeiro turno, mas registram equilíbrio entre os dois principais candidatos, inclusive em diferentes simulações de segundo turno.
Tarcísio pede união em torno de Flávio
Durante a transmissão, Tarcísio de Freitas reforçou o apelo pelo voto útil e defendeu que os eleitores contrários ao PT apoiem Flávio Bolsonaro.
“Vamos olhar a coisa com pragmatismo. Não dá mais para ter o PT. Está na hora de todo mundo vir com Flávio, fazer o esforço final, convencer indeciso e militar na rede social”, afirmou o governador.
A participação de Tarcísio representa um movimento importante para a candidatura de Flávio, especialmente em São Paulo, maior colégio eleitoral do país.
Pesquisa Datafolha realizada em setembro apontou Flávio à frente de Lula em São Paulo em uma possível disputa de segundo turno. O levantamento registrou 47% para o candidato do PL e 42% para o petista.
Reta final será decisiva
A comparação com 2018 também funciona como uma mensagem de mobilização para a militância bolsonarista. Ao afirmar que uma nova onda está crescendo, Flávio procura estimular apoiadores a intensificarem a campanha nas ruas e nas redes sociais.
O discurso ocorre em um momento no qual setores do centro e da direita já discutem um possível apoio ao candidato do PL em eventual segundo turno. O crescimento registrado nas pesquisas aumentou a percepção de competitividade da candidatura entre partidos que permaneceram neutros durante parte da campanha.
Com a aproximação do primeiro turno, Flávio aposta na memória da vitória de Jair Bolsonaro em 2018 para reforçar o sentimento de confiança entre seus eleitores. As próximas pesquisas e, sobretudo, o resultado das urnas mostrarão se o movimento percebido pelo candidato terá força para repetir o desempenho eleitoral alcançado por seu pai.

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