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PARECIA DESPERDÍCIO. ATÉ O PROJETO SER REVELADO PARA AVENIDA CENTRAL DE CEILÂNDIA

 “Inventando moda.”
Foi essa a conclusão a que este articulista chegou há pouco mais de um mês, quando a Administração Regional de Ceilândia, comandada por Renato Santana, começou a retirar as tradicionais pedras portuguesas da Avenida Central.
“Desperdício de dinheiro público”, pensei.
O que eu não sabia naquele momento era que, por trás daquela mudança que parecia difícil de entender, existia um projeto muito maior. E, sem qualquer demérito ao trabalho de Renato Santana, havia também aquilo que a governadora Celina Leão resolveu definir de uma maneira muito simples: “o olhar da mulher”.
Na última semana, Celina apareceu falando sobre a “requalificação” da Avenida Central.
Confesso que a palavra, sozinha, não dizia muita coisa.
“A gente pensa diferente. É o olhar da mulher”, afirmou a governadora.
E aquilo despertou uma curiosidade: afinal, o que estão aprontando em Ceilândia?
A pergunta fazia ainda mais sentido porque, semanas antes, o PDNews havia acompanhado uma bronca da equipe do Ceilândia Muita Treta após uma intervenção realizada em uma quadra da cidade.
Em uma área que reúne uma árvore de grande porte e uma quadra poliesportiva, um espaço de convivência recém-instalado pela Administração Regional acabou sendo depredado.
Era mais um daqueles episódios que levantam uma discussão importante: não basta o poder público construir. A população também precisa ajudar a preservar.
Mas ainda faltava entender a Avenida Central.



AGORA DEU PARA ENTENDER
Quando Celina mostrou nas redes sociais os materiais que chegaram para a conclusão das obras e, principalmente, apresentou como ficará a Avenida Central, aquela palavra ganhou outro significado.
Requalificação.
Agora ficou mais fácil compreender por que as pedras portuguesas tiveram de sair.
O projeto vai muito além de simplesmente trocar um piso.
Ceilândia, berço de uma das maiores diversidades culturais do Distrito Federal, começa a receber um espaço pensado para convivência, circulação e valorização urbana.
E talvez esteja justamente aí o significado do tal “olhar da mulher” citado pela governadora.
É olhar para uma cidade que durante décadas carregou o peso de ser chamada de “cidade-satélite” e mostrar que ela também pode receber espaços bonitos, modernos e acolhedores.
Mais do que transformar quase dois quilômetros da Avenida Central, a intervenção passa uma mensagem importante: não deveria existir região do Distrito Federal condenada a receber menos simplesmente porque está distante do centro de Brasília.
Ceilândia também é Brasília.
Planaltina também é Brasília.
Samambaia, Brazlândia, São Sebastião e tantas outras regiões também são Brasília.
Um governo consegue mudar uma cidade quando deixa de enxergar apenas obras e começa a pensar em como as pessoas vão ocupar aqueles espaços.

É ELEIÇÃO? PODE SER. MAS ISSO EXPLICA TUDO?
Alguém poderá perguntar: “É manobra eleitoreira?”
Pode haver quem faça essa leitura, especialmente em período eleitoral.
Mas reduzir toda transformação urbana a isso também seria simplificar demais o que está acontecendo.
Há outros exemplos dessa mudança de postura.
O GDF na Sua Porta talvez seja um deles. É uma ideia relativamente simples: levar diferentes órgãos diretamente às regiões e tentar resolver demandas que, presas à burocracia tradicional, poderiam consumir dias, semanas, meses e, em alguns casos, anos.
Às vezes, aquilo que parece complicado dentro de um gabinete encontra solução em poucas horas quando quem decide vai até onde o problema está.
É outra maneira de enxergar a administração pública.

EU ESTAVA ERRADO
E aqui talvez esteja a parte mais interessante desta história.
Quando vi aquelas pedras portuguesas sendo retiradas da Avenida Central, critiquei.
Hoje, depois de conhecer melhor o projeto, reconheço que minha primeira impressão não correspondia ao que estava sendo preparado.
As belas pedras portuguesas certamente poderão ser reaproveitadas em outros espaços.
Enquanto isso, Ceilândia ganha a oportunidade de receber uma Avenida Central renovada, mais acolhedora e preparada para se tornar um grande espaço de convivência.
Se esse é o resultado do tal “olhar da mulher” citado por Celina Leão, agora consigo entender melhor o que ela queria dizer.
Resta uma parte fundamental.
A população precisa abraçar aquilo que está recebendo.
Porque tão importante quanto cobrar do governo que faça é preservar aquilo que foi feito com dinheiro público.
E fica aqui a torcida para que os ceilandenses cuidem da nova Avenida Central.
Até para o pessoal do Ceilândia Muita Treta não precisar aparecer depois puxando a orelha dos mais desatentos.
No fim das contas, estavam mesmo “inventando moda”.
Ainda bem.

Com informações do PDNEWS

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