Presidente dos Estados Unidos afirma na ONU que organizações criminosas estão em guerra contra a civilização e admite usar força militar para combatê-las
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra o narcotráfico internacional durante seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York.
Nesta terça-feira (22), Trump comparou os cartéis de drogas ao Estado Islâmico e afirmou que seu governo utilizará o poder das Forças Armadas norte-americanas para combater organizações criminosas que atuam no Hemisfério Ocidental.
A declaração coloca o enfrentamento aos cartéis no centro da política externa dos Estados Unidos e aumenta a pressão sobre os países da América Latina.
“Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental”
Durante o discurso, Trump classificou os cartéis como o “Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental”.
Segundo o presidente, essas organizações estão em guerra contra a civilização e utilizam assassinatos, estupros, torturas e extorsões como instrumentos de terror.
Trump afirmou que os integrantes desses grupos devem ser mortos, presos ou expulsos dos territórios onde atuam. A declaração reforça a postura mais agressiva adotada pelos Estados Unidos contra organizações ligadas ao tráfico internacional de drogas.
Trump promete acabar com interferência externa
O presidente norte-americano também afirmou que pretende encerrar décadas de violência, instabilidade e interferência estrangeira nas Américas.
Trump declarou que os Estados Unidos não permitirão que ameaças aos interesses do país recebam apoio ou proteção dentro do Hemisfério Ocidental.
Caso considere necessário, o governo norte-americano poderá utilizar seu poder militar para proteger seus interesses nacionais e enfrentar grupos classificados como terroristas.
Cartéis passam a ser tratados como ameaça terrorista
A comparação com o Estado Islâmico não representa apenas uma mudança de linguagem.
Ao tratar os cartéis como organizações terroristas, o governo dos Estados Unidos amplia as ferramentas que podem ser usadas contra seus integrantes, financiadores e colaboradores.
Entre as possíveis medidas estão bloqueio de bens, sanções financeiras, restrições internacionais, mandados de prisão e operações militares.
A estratégia também aumenta a pressão sobre empresas, instituições financeiras e governos suspeitos de manter relações com organizações envolvidas no narcotráfico.
América Latina entra no centro da estratégia
O discurso de Trump envia um recado direto aos governos latino-americanos.
Washington pretende exigir medidas mais duras contra organizações que controlam rotas de drogas, estruturas financeiras, portos, fronteiras e territórios em diferentes países.
A declaração também abre um debate sobre soberania. Países da região poderão questionar até onde os Estados Unidos pretendem chegar e se operações militares poderão ocorrer fora do território norte-americano.
Ao afirmar que poderá usar a força para defender os interesses dos Estados Unidos, Trump deixou aberta a possibilidade de novas ações na região.
🚨URGENTE - Lula manda indireta para Trump e diz que o Brasil não cabe no quintal de ninguém
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) September 22, 2026
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém” pic.twitter.com/e0IAgImPrS
Discurso aumenta pressão sobre o Brasil
As declarações também podem repercutir no Brasil, onde organizações criminosas ampliaram sua atuação internacional e passaram a controlar rotas de drogas destinadas à Europa, África e outros mercados.
O governo brasileiro poderá enfrentar uma pressão maior para adotar medidas compatíveis com a estratégia norte-americana de combate ao crime organizado.
A principal dúvida é se Brasília aceitará tratar grandes facções como organizações terroristas ou continuará defendendo que esses grupos sejam combatidos exclusivamente pela legislação penal comum.
Ao levar o assunto para a ONU, Trump mostrou que o combate aos cartéis deixou de ser apenas uma questão de segurança interna. Para os Estados Unidos, o narcotráfico passou a ocupar um espaço central na política externa e na defesa militar do Hemisfério Ocidental.

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