Campanha do candidato do PL denuncia suposta rede de desinformação no Instagram, aponta 11,6 milhões de visualizações e solicita a suspensão de 32 perfis durante o segundo turno das eleições presidenciais.
A disputa pela Presidência da República chegou a uma nova frente na Justiça Eleitoral. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) apresentou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), solicitando a cassação da chapa formada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
A iniciativa tem como fundamento a suposta atuação coordenada de perfis no Instagram que, segundo os advogados do candidato do PL, teriam divulgado informações falsas ou descontextualizadas contra Flávio Bolsonaro nas primeiras horas após o primeiro turno das eleições de 2026.
A representação aponta 218 publicações consideradas irregulares pela campanha, que teriam alcançado aproximadamente 11,6 milhões de visualizações em um intervalo de 62 horas.
Além da cassação, os advogados solicitam medidas urgentes para interromper a circulação dos conteúdos questionados antes da realização do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Campanha aponta atuação coordenada de perfis no Instagram
De acordo com o levantamento apresentado ao TSE, a equipe jurídica analisou 2.856 publicações realizadas por 146 perfis entre a meia-noite de 5 de outubro e as 14h28 de 7 de outubro.
Desse total, 2.101 publicações, aproximadamente 74%, utilizaram o recurso de coautoria do Instagram, conhecido como collab.
A ferramenta permite que uma publicação seja compartilhada simultaneamente por diferentes contas, ampliando sua distribuição e seu potencial de alcance.
A análise também identificou 1.525 perfis interligados por 5.882 conexões, organizados em 16 comunidades digitais.
Segundo os advogados, esses dados indicariam uma estrutura de disseminação coordenada de mensagens contrárias ao candidato do PL.
Entretanto, a utilização do recurso de coautoria e a existência de conexões entre perfis não comprovam, isoladamente, a prática de abuso eleitoral. Essa conclusão depende da análise do conteúdo, das circunstâncias e das provas apresentadas.
Publicações são classificadas como falsas ou descontextualizadas
A campanha de Flávio Bolsonaro sustenta que parte das publicações analisadas teria divulgado informações falsas ou retirado declarações de contexto para prejudicar a imagem do candidato durante a disputa presidencial.
Segundo a representação, os conteúdos questionados foram submetidos a um processo de identificação, transcrição e classificação.
Os advogados argumentam que a circulação das mensagens, especialmente pelo elevado número de visualizações em um período reduzido, poderia ter provocado desequilíbrio na disputa eleitoral.
A ação atribui à chapa de Lula e Alckmin um suposto benefício eleitoral decorrente da divulgação desses conteúdos.
Essa alegação, contudo, ainda precisa ser examinada pela Justiça Eleitoral. O alcance de publicações desfavoráveis a um candidato não demonstra, por si só, participação ou responsabilidade dos adversários.
Flávio pede suspensão de 32 perfis até o segundo turno
Entre as medidas urgentes solicitadas, a campanha requer a suspensão temporária de 32 perfis do Instagram apontados como integrantes da suposta rede de desinformação.
O pedido prevê que a restrição permaneça em vigor até o encerramento do segundo turno.
Os advogados também solicitam que o TSE determine a remoção de 221 publicações e de eventuais reproduções equivalentes, no prazo de 24 horas.
Outra medida requerida é a proibição do uso do recurso de coautoria entre as contas mencionadas na representação.
A campanha ainda pede a identificação dos responsáveis por perfis anônimos e a adoção de providências para impedir a continuidade da divulgação das nove narrativas contestadas.
A própria ação ressalva que as restrições pretendidas não devem alcançar manifestações legítimas de crítica, opinião ou divulgação de informações verdadeiras.
Ação também menciona perfis de políticos de esquerda
A representação inclui referências a contas vinculadas a figuras políticas de esquerda, entre elas o deputado federal eleito Thiago Resiste e o deputado estadual Leonel Radde.
Nesses casos, a campanha solicita a retirada das publicações questionadas e o acompanhamento dos perfis, mas não requer a suspensão integral das contas.
Segundo os advogados, a distinção considera a natureza institucional dos perfis mencionados.
As solicitações ainda dependem de apreciação judicial, inclusive quanto à proporcionalidade das medidas e à preservação da liberdade de expressão.
Multas podem chegar a R$ 100 mil por hora
A campanha também apresentou pedidos de aplicação de multas em caso de descumprimento das determinações judiciais eventualmente concedidas.
Para as plataformas digitais, a representação solicita multa de R$ 100 mil por hora.
Já para os investigados e responsáveis pelas contas, o valor requerido é de R$ 50 mil por publicação considerada em desacordo com as medidas determinadas.
Esses valores representam pedidos formulados pelos advogados, e não penalidades já impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Campanha pede cassação e inelegibilidade por oito anos
No julgamento definitivo da ação, os advogados de Flávio Bolsonaro solicitam o reconhecimento de abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação.
Caso o TSE considere comprovadas as irregularidades e preenchidos os requisitos legais, a campanha pretende obter a cassação do registro ou diploma da chapa de Lula e Alckmin.
A representação também requer a declaração de inelegibilidade por oito anos dos responsáveis, de acordo com a participação individual atribuída a cada um.
Para fundamentar os pedidos, a campanha sustenta que a dimensão da suposta operação digital teria ultrapassado os limites da propaganda eleitoral legítima.
Em um dos trechos, os advogados classificam o episódio como o maior registro de abuso de poder da história democrática brasileira.
A expressão representa a avaliação da campanha e não uma conclusão reconhecida pelo TSE.
Decisão poderá influenciar os próximos passos da disputa judicial
A apresentação da AIJE acrescenta uma nova dimensão jurídica à disputa presidencial de 2026.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, os pedidos de urgência poderão ser analisados antes da votação, enquanto o julgamento definitivo dependerá da tramitação processual e do exame das provas.
A Justiça Eleitoral deverá avaliar se os conteúdos apontados como irregulares efetivamente configuram desinformação eleitoral, se houve atuação coordenada ilícita e se existem elementos capazes de estabelecer responsabilidade ou benefício juridicamente relevante para os investigados.
Também será necessário assegurar o direito de defesa dos envolvidos e observar os limites constitucionais da liberdade de expressão.
O pedido de cassação apresentado por Flávio Bolsonaro não significa que Lula e Alckmin tenham cometido as irregularidades denunciadas.
A eventual aplicação de sanções dependerá de decisão fundamentada do Tribunal Superior Eleitoral.
Enquanto isso, a ação amplia o debate sobre o papel das redes sociais nas campanhas presidenciais e os limites entre propaganda política, crítica eleitoral e divulgação de informações falsas.
A definição sobre as medidas solicitadas caberá ao TSE, com base nas provas apresentadas e nas manifestações das partes envolvidas.
Fonte: informações da Ação de Investigação Judicial Eleitoral descrita no material fornecido, referente a outubro de 2026.

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