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JORNAL ALEMÃO ACUSA LULA DE USAR A JUSTIÇA COMO PROTEÇÃO POLÍTICA


Em artigo publicado pelo Die Welt, correspondente alemão questiona se o Brasil ainda é um Estado de Direito e faz críticas às decisões judiciais contra Flávio Bolsonaro, à composição do Supremo e a medidas envolvendo jornalistas.
O jornal alemão Die Welt publicou, na quinta-feira (29), um artigo com duras críticas à relação entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Poder Judiciário brasileiro.
Intitulado “O Brasil ainda é um Estado de Direito?”, o texto é assinado pelo correspondente Tobias Käufer, que questiona a independência do Supremo Tribunal Federal (STF) e sugere que o sistema judicial brasileiro estaria sendo utilizado como instrumento de proteção política.
O jornalista reúne episódios envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, ministros do STF e investigações relacionadas à liberdade de imprensa.
A publicação amplia o debate sobre a atuação do Judiciário brasileiro na imprensa internacional. Entretanto, as acusações apresentadas representam a interpretação do correspondente e não comprovam interferência direta do presidente Lula em decisões judiciais.

JORNAL ALEMÃO QUESTIONA AÇÃO JUDICIAL CONTRA FLÁVIO BOLSONARO
Um dos principais pontos abordados pelo Die Welt foi a atuação das autoridades brasileiras após o resultado das eleições presidenciais de 2026.
Segundo o artigo, a Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal a apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro e a proibição de que ele deixasse o país.
O pedido estaria relacionado a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Tobias Käufer questionou a rapidez das medidas e sugeriu que a Justiça brasileira parecia aguardar uma oportunidade para agir contra um adversário político de Lula.
O correspondente também mencionou a possibilidade de ministros do STF enfrentarem processos de impeachment caso Flávio Bolsonaro tivesse vencido a eleição presidencial.
Para o jornalista, esse cenário político levanta dúvidas sobre a relação entre determinadas decisões judiciais e os interesses de autoridades brasileiras.
A existência de uma investigação, contudo, não comprova a prática dos crimes investigados nem demonstra, por si só, motivação política das medidas.

DECLARAÇÃO DE LULA É INTERPRETADA COMO RECADO AO JUDICIÁRIO
Outro episódio destacado pelo jornal alemão foi uma declaração do presidente Lula sobre a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.
Ao comentar o assunto, o presidente afirmou:
“Quem não deve, não teme.”
Para Tobias Käufer, a frase ganhou um significado particular diante das medidas judiciais envolvendo o senador.
O correspondente afirmou que a declaração “soou como uma ordem de serviço”.
A expressão foi utilizada pelo jornalista para sugerir uma possível conexão entre o posicionamento político do presidente e a atuação das autoridades judiciais.
Entretanto, o artigo não apresenta provas de que Lula tenha determinado ou influenciado diretamente as medidas adotadas no processo.

INFLUÊNCIA DO PT NA COMPOSIÇÃO DO STF ENTRA NO DEBATE
O Die Welt também questionou a influência dos governos petistas na composição do Supremo Tribunal Federal.
Segundo o levantamento mencionado pelo correspondente, desde 2003, presidentes ligados ao PT teriam indicado 15 dos 18 ministros nomeados no período analisado.
Käufer argumentou que as indicações para a mais alta Corte do país podem influenciar o equilíbrio institucional e a relação entre o Judiciário e os demais Poderes.
O jornalista também comparou a repercussão internacional da indicação de André Mendonça, escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, com as nomeações realizadas durante governos petistas.
Na avaliação do correspondente, a escolha de um ministro evangélico recebeu maior atenção crítica de parte da imprensa internacional do que determinadas indicações feitas por Lula.
No Brasil, a Constituição estabelece que os ministros do STF são indicados pelo presidente da República e precisam ser aprovados pelo Senado Federal.
Portanto, a nomeação de ministros pelo chefe do Executivo é um procedimento constitucional e não demonstra automaticamente subordinação política do Judiciário.

LIBERDADE DE IMPRENSA É OUTRO PONTO DE CRÍTICA
O artigo também aborda decisões judiciais relacionadas à atividade jornalística e à proteção do sigilo das fontes.
Um dos episódios citados envolve o jornalista Luís Pablo, responsável por reportagens sobre o uso de veículos oficiais por familiares do ministro Flávio Dino.
Segundo o correspondente alemão, medidas autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes poderiam permitir a identificação das fontes utilizadas pelo jornalista.
Käufer apresentou o episódio como uma preocupação para a liberdade de imprensa no Brasil.
A Constituição Federal assegura a liberdade de expressão e protege o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional.
Para o jornalista alemão, medidas que possam revelar fontes utilizadas em reportagens sobre autoridades públicas precisam ser examinadas com especial atenção, diante do risco de prejudicar o trabalho investigativo da imprensa.

TRANSPARÊNCIA INTERNACIONAL E LAVA JATO SÃO MENCIONADAS
Outro episódio utilizado pelo Die Welt para questionar o funcionamento das instituições brasileiras envolve a Transparência Internacional.
O correspondente relembrou a investigação determinada pelo ministro Dias Toffoli, em 2024, sobre a atuação da organização em acordos de leniência relacionados à Operação Lava Jato.
O texto também mencionou críticas feitas pela entidade ao governo Lula em janeiro de 2026.
Na ocasião, a organização afirmou ter sofrido intimidação após questionamentos da Casa Civil sobre sua credibilidade.
Para Käufer, esses acontecimentos levantam preocupações sobre o tratamento dispensado a entidades que acompanham e fiscalizam a atuação do poder público.
As críticas da organização e a interpretação apresentada pelo jornal não constituem, isoladamente, comprovação de perseguição institucional.

ASILO A EX-PRIMEIRA-DAMA DO PERU TAMBÉM É QUESTIONADO
O correspondente alemão também abordou a concessão de asilo pelo Brasil a Nadine Heredia, ex-primeira-dama do Peru condenada a 15 anos de prisão.
O caso envolve investigações de corrupção relacionadas à construtora Odebrecht.
Käufer questionou a postura das autoridades brasileiras diante das informações que Heredia poderia fornecer sobre o escândalo.
O episódio foi apresentado como mais um elemento de sua crítica ao tratamento dado a casos de corrupção envolvendo figuras políticas.
A concessão de asilo, entretanto, possui regras próprias no direito internacional e não demonstra automaticamente favorecimento político.

ARTIGO DO DIE WELT REPERCUTE QUESTIONAMENTOS SOBRE A DEMOCRACIA BRASILEIRA
Ao reunir decisões contra Flávio Bolsonaro, nomeações para o STF, investigações envolvendo jornalistas e episódios relacionados à corrupção, Tobias Käufer constrói uma crítica à relação entre o poder político e o sistema judicial brasileiro.
A pergunta que dá título ao artigo, “O Brasil ainda é um Estado de Direito?”, resume o questionamento apresentado pelo correspondente.
A publicação também evidencia que as discussões sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal ultrapassaram as fronteiras brasileiras e passaram a integrar análises de veículos internacionais.
É importante destacar, contudo, que o texto do Die Welt apresenta avaliações jornalísticas e críticas políticas. Ele não equivale a uma decisão judicial nem comprova que o presidente Lula utilize o STF para perseguir adversários.
A independência do Judiciário, a liberdade de imprensa e a possibilidade de fiscalização das autoridades são temas fundamentais para o funcionamento das instituições democráticas.
O artigo do jornal alemão coloca essas questões novamente em evidência ao questionar se determinadas decisões judiciais brasileiras estão suficientemente protegidas de influências e disputas políticas.
Fonte: Die Welt, artigo de Tobias Käufer publicado em 29 de outubro de 2026.

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