Durante campanha em Juiz de Fora, presidente comenta apoio do governador eleito a Flávio Bolsonaro e destaca a importância da relação entre Minas Gerais e o governo federal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mandou um recado ao governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), durante um ato de campanha realizado nesta sexta-feira (16), em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira.
Em meio à disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL), Lula afirmou que Cleitinho não precisa apoiá-lo, mas sugeriu que o governador eleito evite se posicionar contra sua candidatura.
“Eu tenho certeza de que o Cleitinho é esperto. Ele não precisa me apoiar, só tem que ficar quietinho, porque só tem a ganhar no final das eleições”, declarou o presidente.
A fala ocorreu diante de apoiadores e ganhou repercussão pelo contexto eleitoral e pelas negociações envolvendo a dívida bilionária de Minas Gerais com a União.
Dívida de R$ 187,5 bilhões entra no debate
Minas Gerais enfrenta uma dívida estimada em R$ 187,5 bilhões com o governo federal. O estado aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que estabelece condições para a renegociação dos débitos.
Cleitinho defende novas medidas para aliviar o endividamento, incluindo a possibilidade de utilizar investimentos em obras estaduais para reduzir o saldo devedor.
Durante o evento, Lula associou a continuidade de investimentos federais em Minas Gerais à sua permanência na Presidência da República.
A declaração ocorre em um momento politicamente sensível, já que Cleitinho declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições.
Recado levanta questionamentos políticos
A fala de Lula também abre espaço para questionamentos sobre a relação entre interesses eleitorais e responsabilidades institucionais.
A Constituição estabelece a autonomia dos estados, enquanto a renegociação de dívidas com a União deve observar as regras previstas na legislação.
Embora a declaração tenha sido interpretada como um recado político ao governador eleito, não há comprovação de que Lula tenha formalmente condicionado a renegociação da dívida mineira ao silêncio ou ao apoio de Cleitinho.
O episódio amplia a tensão política em Minas Gerais e coloca em evidência o desafio de manter a relação institucional entre o governo estadual e a Presidência da República, independentemente das alianças eleitorais.

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