Líder da oposição afirma que adiamento da votação teria motivação eleitoral e critica decisão do presidente do Senado às vésperas do segundo turno.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), acusou nesta quinta-feira (15) o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de retirar a PEC da Segurança Pública da pauta para evitar desgaste político ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Não tenho dúvida de que Alcolumbre atendeu a um desejo do governo”, afirmou Marinho a jornalistas.
Segundo o senador, o adiamento estaria relacionado às divergências sobre a redução da maioridade penal, tema que ganhou força durante as negociações da proposta.
Redução da maioridade penal divide parlamentares
O debate provocou divergências dentro do próprio PT. O senador Camilo Santana (PT-CE) articulou uma emenda para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, enquanto Rogério Marinho apresentou proposta que permitiria a redução para 14 anos em crimes específicos.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), defendia a votação da PEC sem alterações relacionadas à maioridade penal.
Para Marinho, a retirada da matéria teve como objetivo evitar um confronto político durante a campanha presidencial.
“O governo não está interessado em resolver a segurança pública, o governo está interessado em ganhar as eleições, mesmo que isso custe a segurança das pessoas”, declarou.
Marinho critica Alcolumbre e cobra mudanças no Senado
O líder da oposição também questionou a forma como Alcolumbre conduz os trabalhos legislativos e criticou a retirada da proposta sem uma justificativa considerada suficiente.
“Isso aqui é uma casa de pares, não pode ser uma casa de ditadores”, afirmou.
Marinho defendeu mudanças no regimento do Senado para ampliar a participação da oposição nas decisões e na distribuição das presidências de comissões.
Alcolumbre nega pressão do governo
Davi Alcolumbre negou que tenha retirado a PEC da pauta a pedido do governo Lula. Segundo o presidente do Senado, o adiamento teve como objetivo permitir novas negociações e evitar uma discussão precipitada sobre as emendas.
A acusação de interferência do governo, portanto, permanece como uma avaliação política de Rogério Marinho, sem comprovação apresentada.
A PEC da Segurança Pública não foi rejeitada nem arquivada. A votação foi adiada e ainda não há uma nova data confirmada.

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