Por: Luiz Fernando Ramos Aguiar
O inferno astral vivido pelo governo Lula parece não ter limites. Depois de passar semanas mergulhado no esgoto a céu aberto do Banco Master, o governo agora precisa lidar com um de seus maiores medos. O governo americano decide, de forma unilateral, classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais. Nem mesmo o constrangedor telefonema do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ao secretário de Estado dos EUA1 parece ter surtido algum efeito para dissuadir o presidente americano de sua decisão.
O governo brasileiro alega que a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas internacionais pode representar um risco à soberania nacional. O difícil é convencer alguém de que um país onde 61 milhões de pessoas vivem debaixo da opressão de narcoterroristas2 ainda mantém algum resquício de soberania.
Mas a vergonha gigante do anão diplomático em que se tornou o Brasil não se limitou à defesa constrangedora dos criminosos mais perigosos da nação. No dia 7 de março, o governo americano lançou uma ação descrita por Washington como “nova iniciativa de segurança no Hemisfério Ocidental”. A reunião de lançamento do evento reuniu líderes de 12 países da América Latina e contou com a presença do presidente Trump. O objetivo da cúpula é desenvolver políticas e estratégias conjuntas entre os países-membros voltadas para o combate ao narcotráfico.3
E adivinha só quem ficou de fora? Exatamente o nosso glorioso presidente Lula da Silva, que escolheu se tornar alvo das ações americanas, em vez de se aliar à maior potência militar do planeta para combater o crime organizado. Negando-se recorrentemente a aceitar a realidade do narcoterrorismo e ainda mobilizando a diplomacia brasileira em defesa das facções criminosas. Claro, tudo em nome da soberania. Seja lá o que isso signifique para o nosso etílico mandatário.
Mas a verdade é que seria muito difícil esperar do governo brasileiro uma postura diferente. Afinal, não é de hoje que nosso governo tem a curiosa tendência de estar ao lado dos principais inimigos dos Estados Unidos, principalmente quando essas nações estão envolvidas no financiamento ou apoiam renomados grupos terroristas tradicionais, como o Hamas e o Hezbollah. O episódio mais recente dessa miopia diplomática do Itamaraty foi a condenação dos ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã.4
O Irã adotou como política externa o fortalecimento de grupos rebeldes e paramilitares que recorrem a táticas e ações terroristas, amplificando as tensões no Oriente Médio como forma de confrontar, à distância, seus adversários geopolíticos. Para se ter uma ideia da catástrofe humanitária promovida por essa política iraniana, entre os grupos apoiados pelo regime estão o Hezbollah, no Líbano, o Hamas, na Faixa de Gaza, e os Houthis, no Iêmen.5
A coincidência mais aterradora desse contexto é que nossas facções também apoiam grupos dessa natureza. O próprio Ministério da Defesa de Israel chegou a emitir um comunicado ao governo brasileiro, direcionado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ao Ministério Público de São Paulo e à Polícia Federal, alertando sobre a utilização de carteiras digitais com criptomoedas vinculadas a uma fintech brasileira que seria ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As movimentações dessas carteiras teriam como destino o financiamento de atividades terroristas. A documentação israelense indicaria que aproximadamente 450 milhões de reais teriam sido transferidos para contas que financiavam ou mantinham ligações com o terrorismo.6
Se apenas esse fato não for suficiente para a classificação de nossas facções como grupos terroristas, vamos conferir quais são os critérios que os Estados Unidos utilizam para classificar uma organização ou grupo como terrorista:
1. Ser uma organização estrangeira: não parece haver dúvidas de que o PCC e o CV não são grupos organizados em território americano.
2. Engajar-se em atividade terrorista, ou ter capacidade e intenção de fazê-lo: uso de violência para dominar territórios, ações de domínio de cidades com uso de reféns como escudo humano, arsenal com armas de guerra, uso de explosivos em suas ações, assassinato de figuras públicas e testemunhas, incêndio de ônibus e construção de barreiras como forma de interferir na livre circulação dos cidadãos, interferência em eleições e infiltração de criminosos em instituições públicas e privadas. Essas são apenas algumas das ações praticadas por nossas facções.
3. Representar ameaça à segurança de cidadãos ou à segurança nacional dos EUA, seja em sua defesa, em suas relações exteriores ou em seus interesses econômicos: o PCC já envia membros da facção para os Estados Unidos tanto para fugir da Justiça quanto para lavar dinheiro. De acordo com informações da Polícia Federal, o grupo já tenta levar cocaína para o país. O movimento só não é maior porque as rotas americanas são dominadas pelos cartéis mexicanos. Serviços de inteligência dos EUA têm identificado um número cada vez maior de membros da organização entrando ilegalmente no país.
Mesmo diante de todas as evidências impostas pela realidade, o governo brasileiro não teve a coragem de admitir que nossas facções são organizações narcoterroristas, e essa covardia pode ter um custo elevado. O reconhecimento, por parte do Brasil, da classificação desses grupos poderia ter sido utilizado pelo governo americano para estabelecer parcerias e políticas conjuntas de enfrentamento a essas organizações.
Mas a defesa de uma fictícia soberania nacional retirou do governo brasileiro o status de parceiro e o rebaixou à condição de alvo. Afinal, um governo que manda o chefe de seu serviço diplomático contatar o secretário de Estado americano para interceder em favor de grupos criminosos, no mínimo, levanta suspeitas quanto ao seu empenho em combater essas facções.
A realidade para nós também é dura. Enquanto estamos à mercê da crueldade narcoterrorista, precisamos observar, impotentes, a leniência do nosso governo para enfrentar o caos na segurança pública, enquanto testemunhamos o crime ceifar a vida de dezenas de milhares de brasileiros todos os anos. Mas não se preocupe, ainda somos uma nação soberana. Assim como o Irã, pelo menos até quinze dias atrás.


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