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Zé Dirceu acusa militares de orquestrarem invasão a Brasília e fala em possível “golpe”


De acordo com o ex-ministro, é preciso retirar poderes e privilégios dos militares para ter maior controle sobre as Forças Armadas e aniquilar qualquer possibilidade de insurreição contra o governo
Ao conceder entrevista ao canal de extrema-esquerda, Opera Mundi, um dia depois dos atos de protesto e depredação em Brasília, o ex-guerrilheiro, agente da inteligência militar cubana e descondenado, José Dirceu, acusou as Forças Armadas de orquestrarem a invasão aos prédios dos Três Poderes como um tipo de “ensaio” para um possível “golpe”.
“É evidente que há setores ou mesmo comando das Forças Armadas por detrás disso. É muito mais grave do que parece. Não é uma arruaça, não são vândalos. É uma tentativa de golpe de estado que pode ter sido um ensaio geral para ver qual é a nossa capacidade de resistência”, disse.    
De acordo com Dirceu, é preciso aparelhar e retirar poderes e privilégios dos militares para ter maior controle sobre as Forças Armadas e aniquilar qualquer possibilidade de insurreição contra o governo.  
“Serviço militar obrigatório ou Exército profissional? O Exército vai se concentrar nas suas funções específicas militares ou vai assumir uma série de tarefas civis? As Forças Armadas não deveriam ter poder de polícia sobre os rios, mares e fronteiras [...] O que nós queremos? É preciso debater publicamente o papel das Forças Armadas. Eles têm hospitais próprios, educação própria, justiça própria, um sistema previdenciário único [...] Seus salários foram dobrados e ainda tem uma série de privilégios que o Bolsonaro foi acrescentando”, afirmou Dirceu.
Apesar de enfatizar a forma como o governo Lula deve tratar os militares, Dirceu disse que isso não é prioridade. Para o ex-guerrilheiro, antes de tudo, é preciso descartar o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para dar lugar a um novo Serviço de Inteligência. Dirceu também é conhecido por integrar os altos círculos da inteligência militar cubana. 
Segundo Dirceu, os militares devem “voltar para os quartéis” e deixar as estruturas do governo. “Já dei minha opinião sobre GSI, nem vou falar sobre Abin, sobre o comando do GSI... porque é evidente que não pode e tem mais um problema, nós temos três serviços de inteligência no país, que são Marinha, Aeronáutica e Exército, que são os únicos que existem de fato no país”, disse.
Ao comentar sobre trechos da entrevista, o analista político, Leandro Ruschel, lembrou que o aparelhamento das Forças Armadas foi definido pelo Congresso e o PT, em 2016, para evitar que a esquerda sofra um novo revés, a exemplo do que houve com a ex-presidente Dilma. 
“É a única coisa que está faltando para eles conseguirem fazer no Brasil o que conseguiram fazer na Venezuela. Dirceu já opera para isso”, disse Ruschel pelo Twitter.
Fonte: Brasil Sem Medo

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