Um escândalo de proporções nacionais atinge o governo do Maranhão após a remoção de cinco reportagens oficiais do site do Estado que mencionavam acordos com a Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil) — uma entidade que, segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), está envolvida em movimentações milionárias e fraudes no INSS.
As matérias deletadas exaltavam parcerias firmadas em 2024 entre o governo estadual e a Conafer, voltadas para o “apoio a pequenos produtores rurais e comunidades quilombolas”. No entanto, após as investigações virem à tona, todos os registros desapareceram do portal oficial.
A decisão de apagar o conteúdo coincide com a prisão do presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, decretada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS em setembro, por falso testemunho ao Congresso Nacional.
As matérias deletadas exaltavam parcerias firmadas em 2024 entre o governo estadual e a Conafer, voltadas para o “apoio a pequenos produtores rurais e comunidades quilombolas”. No entanto, após as investigações virem à tona, todos os registros desapareceram do portal oficial.
A decisão de apagar o conteúdo coincide com a prisão do presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, decretada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS em setembro, por falso testemunho ao Congresso Nacional.
Convênios suspeitos e promessas nunca cumpridas
O convênio firmado entre a Conafer e o governo de Carlos Brandão (PSB) previa que a entidade auxiliaria cidadãos maranhenses no acesso a aposentadorias e benefícios do INSS. O acordo também permitia que a Conafer protocolasse pedidos diretamente no sistema previdenciário, algo que exigiria acesso técnico e jurídico — o que nunca chegou a acontecer.
Segundo nota do governo estadual, nenhuma das atividades previstas no contrato foi executada, e o Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma) — órgão responsável pela execução — nunca recebeu os treinamentos prometidos nem acesso aos sistemas do INSS.
Apesar disso, registros mostram que o governador Brandão visitou a sede da Conafer em Brasília em fevereiro de 2024, um mês antes da assinatura do convênio. Na ocasião, posou para fotos ao lado do então presidente da entidade.
CGU e Coaf apontam movimentações “fora da curva”
Relatórios obtidos pelo Estadão e apurados pela CGU indicam que a Conafer movimentou cerca de R$ 797 milhões entre 2022 e 2025, com depósitos em espécie e boletos suspeitos pagos no Piauí e em Pernambuco.
A Controladoria-Geral da União também revelou um salto explosivo nos descontos em benefícios do INSS vinculados à entidade: de R$ 400 mil em 2019 para dezenas de milhões de reais em 2024, sem transparência sobre os destinatários.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) confirmou que a entidade realizou transações incompatíveis com suas atividades rurais, incluindo transferências sem origem declarada e pagamentos de boletos de alto valor a terceiros.
Reação do governo Brandão
Procurado, o governo do Maranhão afirmou que todas as tratativas com a Conafer foram suspensas e que “nenhuma ação vinculada ao objeto do convênio foi executada”.
Em nota, o Executivo disse ainda que o “gerenciamento de conteúdo é legítimo” e visa preservar a imagem institucional do Estado, reafirmando o compromisso com a transparência e a boa gestão pública.
A Conafer, por sua vez, não se manifestou sobre as investigações e a exclusão das matérias.
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