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Após Venezuela, Colômbia teme entrar na mira de Trump e busca proteção do Brasil

 
O governo da Colômbia intensificou, nos últimos dias, contatos diplomáticos com o Brasil após a ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela e declarações atribuídas ao presidente Donald Trump envolvendo o presidente colombiano Gustavo Petro. O movimento é interpretado por analistas como uma tentativa de construir um escudo político regional diante do risco de ampliação do conflito na América do Sul.
A iniciativa ocorre em um cenário de crescente instabilidade, no qual governos sul-americanos avaliam mecanismos de proteção diplomática para evitar que ações militares localizadas assumam dimensão regional.

Por que a Colômbia procura o Brasil?
Sob a liderança de Gustavo Petro, Bogotá passou a tratar a situação como tema estratégico de segurança nacional e regional. A principal preocupação é que a justificativa norte-americana de combate ao chamado “narcoterrorismo” — utilizada no caso venezuelano — possa ser expandida para além das fronteiras da Venezuela, atingindo também o território colombiano.
Sem anúncios públicos formais, o governo colombiano tem acionado canais discretos de diálogo com Brasília e com organismos multilaterais. O Brasil é visto como ator-chave por três fatores centrais:
  • sua dimensão territorial e influência regional;
  • o peso político nas relações sul-americanas;
  • a tradição diplomática de defesa da não intervenção e da solução negociada de conflitos.
Narcoterrorismo e o risco de escalada regional
O conceito de “narcoterrorismo” vem sendo utilizado por autoridades norte-americanas para enquadrar grupos armados e organizações ligadas ao tráfico de drogas na região. Na prática, especialistas apontam que o termo mistura política de segurança interna, combate ao crime organizado e política externa, abrindo margem para ações militares extraterritoriais.
Assessores de Petro buscaram junto à diplomacia brasileira sinais claros de que o Brasil não dará apoio, nem direto nem indireto, a eventuais incursões dos EUA em território colombiano. A estratégia é formar uma frente política regional que reforce os princípios de soberania, integridade territorial e soluções alternativas para o enfrentamento ao tráfico de drogas.

CELAC e ONU entram no tabuleiro diplomático
Enquanto Brasil e Colômbia aprofundam entendimentos bilaterais, a crise venezuelana avançou para fóruns regionais e globais. Líderes da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos se reuniram para discutir a captura de Nicolás Maduro e avaliar uma resposta conjunta à ofensiva dos Estados Unidos.
Apesar da preocupação compartilhada com a estabilidade regional, não houve consenso sobre um posicionamento unificado, em razão das divergências internas quanto ao papel dos EUA e à legitimidade do governo venezuelano.
Em paralelo, o Conselho de Segurança da ONU agendou um debate específico sobre os ataques, com foco no uso da força e no respeito à Carta das Nações Unidas, elevando o tema ao mais alto nível do sistema internacional.

Possíveis desdobramentos
O cenário atual indica que Brasil e Colômbia buscam fortalecer o diálogo diplomático como forma de reduzir riscos de escalada e evitar a regionalização do conflito. Para Bogotá, o apoio brasileiro funciona como elemento de dissuasão política, sinalizando que uma intervenção mais ampla na América do Sul não teria respaldo regional consistente.
Especialistas em política externa avaliam que a crise pode redefinir a agenda de segurança sul-americana, incluindo:
  • limites à presença militar de potências externas;
  • revisão das estratégias de combate ao tráfico de drogas;
  • fortalecimento de mecanismos regionais de mediação.
Nesse contexto, o termo “narcoterrorismo” tende a permanecer no centro de disputas políticas e jurídicas, influenciando diretamente o desenho da segurança regional nos próximos anos.
O episódio evidencia que a crise venezuelana já extrapolou fronteiras nacionais e passou a reconfigurar alianças, estratégias e discursos na América do Sul, com o Brasil ocupando papel central nesse novo tabuleiro diplomático.

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