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Bomba em Pequim: General número 2 da China é acusado de espionagem nuclear

 
Um dos maiores escândalos militares da história recente da China veio à tona e atingiu diretamente o núcleo do poder em Pequim. O general Zhang Youxia, o militar mais poderoso em atividade no país e braço direito de Xi Jinping, está sendo acusado de repassar segredos nucleares aos Estados Unidos.
A denúncia foi revelada pelo jornal americano The Wall Street Journal e caiu como uma bomba no sistema político chinês. O caso mistura suspeita de espionagem, corrupção, disputa interna de poder e o esforço do Partido Comunista para manter controle absoluto sobre as Forças Armadas.
Segundo a reportagem, Zhang é investigado por ter compartilhado dados técnicos considerados fundamentais sobre o arsenal nuclear chinês. As informações estariam ligadas ao programa nuclear controlado pela estatal CNNC, que atua tanto na área civil quanto militar. O vazamento teria surgido no contexto da investigação contra Gu Jun, ex-diretor da empresa.
Até agora, o governo chinês não informou quais dados foram vazados nem se houve prejuízo direto à capacidade nuclear do país. Mesmo assim, o episódio é tratado como extremamente grave, pois atinge o coração da estratégia de dissuasão da China em meio à rivalidade crescente com os Estados Unidos.
Zhang Youxia ocupa o cargo de vice-presidente sênior da Comissão Militar Central, órgão máximo das Forças Armadas chinesas, ficando abaixo apenas de Xi Jinping. Ele também faz parte do Politburo, o seleto grupo que concentra o poder político no país. Além disso, Zhang sempre foi visto como aliado pessoal de Xi, com laços familiares que remontam à guerra civil chinesa.
Justamente por isso, a investigação tem um peso simbólico enorme. Zhang era considerado peça-chave no plano de modernização do Exército de Libertação Popular até 2027, prazo estratégico ligado à capacidade de uma eventual operação militar contra Taiwan.
As acusações vão além do suposto vazamento de informações nucleares. Zhang também é investigado por corrupção, recebimento de subornos, manipulação de promoções internas e formação de grupos de influência dentro do alto comando militar. As autoridades afirmam que ele teria ajudado a impulsionar aliados, como o ex-ministro da Defesa Li Shangfu, que também caiu em desgraça.
A apuração se espalhou rapidamente. Celulares e outros dispositivos de oficiais próximos a Zhang foram apreendidos, incluindo os do general Liu Zhenli, chefe do Estado-Maior Conjunto. Para analistas, o movimento indica que Pequim está desmontando uma rede de poder paralela dentro das Forças Armadas.
Um editorial do jornal oficial do Exército acusou Zhang e seus aliados de enfraquecer a autoridade de Xi Jinping e comprometer a preparação do país para um cenário real de guerra. A mensagem foi direta: em um momento decisivo, qualquer sinal de deslealdade será tratado como ameaça ao Estado.
Desde que assumiu o poder, em 2012, Xi Jinping já derrubou dezenas de generais e ministros da Defesa em sua campanha anticorrupção. Segundo o governo chinês, o objetivo é garantir disciplina, lealdade política e controle total do Partido sobre os quartéis.
O caso Zhang Youxia deixa claro que, na China atual, nem mesmo os homens mais próximos do poder estão protegidos. Quando segurança nacional, armas nucleares e disputas internas se cruzam, ninguém é intocável.

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